A Operação Carbono Oculto, considerada a maior já realizada no país contra a infiltração do crime organizado no mercado formal, surpreendeu o setor financeiro nesta quinta-feira (28). Entre os 350 alvos da ação, que mobilizou 1.400 agentes em oito estados, está a Reag Investimentos, uma das maiores gestoras independentes do Brasil e listada no Novo Mercado da B3, segmento que exige padrões elevados de governança corporativa.
Equipes da Polícia Federal e da Receita Federal cumpriram mandados na sede da Reag, localizada na alameda Gabriel Monteiro, em São Paulo, e em escritórios de administradoras instaladas na Avenida Faria Lima, centro financeiro do país. A força-tarefa afirma que cerca de 40 fundos de investimento teriam sido utilizados pelo PCC para movimentar recursos ilícitos, e parte dessa rede estaria vinculada às gestoras investigadas. Procurada, a Reag não respondeu até a publicação desta reportagem.
Fundada em 2012 por João Carlos Mansur, a Reag construiu uma trajetória marcada por aquisições e pela diversificação de negócios, chegando a patrocinar o tradicional cinema Belas Artes, em São Paulo. Seu crescimento recente foi impulsionado por um IPO reverso realizado em 2024: a companhia adquiriu a plataforma GetNinjas, transformando-a em sua nova estrutura listada na Bolsa. Esse movimento garantiu visibilidade, mas também atraiu a atenção da CVM, que abriu processo ao considerar que a empresa demorou a comunicar claramente sua intenção de assumir o controle.
Nos números, a Reag mostrou recuperação no último ano: depois de registrar prejuízo de R$ 2,1 milhões no primeiro trimestre de 2023, alcançou lucro líquido de R$ 2,9 milhões no mesmo período de 2024. Hoje, a gestora administra uma rede de subsidiárias e marcas adquiridas em diferentes frentes, que vão desde crédito estruturado até private equity.
Entre as controladas estão a Reag Asset Management, responsável pela gestão de Fidcs e fundos imobiliários; a Reag Administradora de Recursos, voltada para carteiras de títulos e valores mobiliários; e a Empírica Investimentos, especializada em crédito estruturado, que já figura entre as maiores do setor, com R$ 25 bilhões sob gestão. Outro braço relevante é a Ciabrasf, nova denominação da Reag Trust, reestruturada após a incorporação da GetNinjas, e que atua na administração de fundos multimercado, Fidcs e FIPs.
Além dessas operações centrais, a companhia consolidou nomes como Rapier, Quadrante, Quasar, Hieron e Berkana, adquiridas para reforçar presença em nichos como multimercados, ativos líquidos e private equity. Essa estratégia de expansão fez da Reag uma das maiores independentes do setor, mas agora a coloca sob escrutínio em meio a uma investigação que liga fundos de investimento à lavagem de recursos atribuídos ao Primeiro Comando da Capital (PCC).
A Carbono Oculto, segundo a Receita, tem como alvo a desarticulação de um esquema bilionário que usava a cadeia de combustíveis e instituições financeiras como canais de lavagem e blindagem patrimonial. Na prática, a ofensiva mostra que a linha entre mercado formal e crime organizado ficou mais tênue, atingindo inclusive gestoras de grande porte que, até aqui, eram vistas como símbolos da profissionalização do setor financeiro.
O portal Boletim Nacional aguarda a manifestação oficial da Reag.