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O desempenho da economia brasileira em 2024 foi positivo, mas os dados do último trimestre indicam um ritmo mais lento de crescimento. O Produto Interno Bruto (PIB) fechou o ano com alta de 3,4%, somando R$ 11,7 trilhões, mas a expansão entre outubro e dezembro foi de apenas 0,2%, um resultado inferior ao crescimento de 0,9% registrado no trimestre anterior.
O desempenho ficou um pouco abaixo das projeções do mercado, que estimavam um avanço de 3,5% no ano e 0,4% no último trimestre. Ainda assim, especialistas apontam que a desaceleração pode ter um efeito benéfico sobre a inflação e os juros. O analista Ruy Hungria, da Empiricus Research, acredita que a economia crescendo em um ritmo mais moderado pode reduzir a necessidade de elevações mais agressivas na taxa básica de juros.
O relatório do Itaú BBA, assinado pelos economistas Mario Mesquita, Natalia Cotarelli e Marina Garrido, destaca que a queda no ritmo de crescimento se deve, em grande parte, à desaceleração da indústria e dos serviços, além de um impacto negativo da agropecuária. No entanto, eles esperam uma retomada gradual nos primeiros meses de 2025 e mantêm a projeção de alta de 2,2% para o PIB neste ano.
Na Ativa Investimentos, a avaliação é mais cautelosa. O economista Guilherme Sousa projeta uma expansão de apenas 1% em 2025, argumentando que o crescimento econômico no ano passado foi impulsionado por gastos públicos e não deve se repetir com a mesma intensidade.
Já Daniel Cunha, estrategista-chefe da BGC Liquidez, acredita que a desaceleração do PIB deve se intensificar ao longo deste ano. Ele aponta que o ritmo de crescimento em 2025 pode ser menor do que o esperado, levando a revisões para baixo nas projeções do mercado. Além disso, alerta que o impacto dessa perda de fôlego pode gerar pressão política para novas medidas de estímulo à economia, especialmente no mercado de trabalho.
Apesar do cenário de desaceleração, a expectativa do mercado ainda aponta para um crescimento moderado da economia neste ano. O desafio será equilibrar o ritmo de atividade com o controle da inflação, em um contexto de juros elevados e menor impulso fiscal.