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A visão do mercado financeiro sobre a economia brasileira continua negativa, segundo dados da pesquisa divulgada nesta segunda-feira (17). O levantamento aponta que a percepção pessimista aumentou, com 93% dos agentes financeiros afirmando que o país segue no rumo errado, frente aos 83% registrados na pesquisa anterior, em dezembro de 2024.
O estudo ainda revela uma deterioração na avaliação do ministro da Fazenda, Fernando Haddad. Em dezembro, apenas 24% dos entrevistados avaliavam negativamente sua gestão, número que saltou agora para 58%.
A pesquisa Genial/Quaest foi realizada entre os dias 12 e 14 de março e entrevistou 88 agentes do mercado financeiro, entre economistas, gestores de fundos e analistas financeiros. Os resultados indicam que, além da visão negativa sobre o rumo econômico do país, há forte expectativa de piora nos próximos 12 meses, destacada por 83% dos entrevistados. Apenas 4% esperam melhora, e 13% acreditam que a economia ficará estável.
Além disso, a possibilidade de recessão econômica em 2025 ganhou relevância. Agora, 58% dos entrevistados afirmam acreditar que o país corre risco de recessão neste ano.
Inflação e juros seguem como principais preocupações Um dos principais pontos que sustentam a percepção negativa é a inflação. Para 82% dos entrevistados, o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) deve fechar 2025 acima do nível observado no ano passado. Outros 16% projetam estabilidade, enquanto apenas 2% acreditam em queda.
Com relação à taxa básica de juros, a Selic, 87% dos entrevistados projetam que o Banco Central continuará elevando o indicador ao longo deste ano. O Comitê de Política Monetária (Copom) deverá anunciar um aumento de pelo menos 1 ponto percentual em sua próxima reunião, segundo a maioria dos analistas consultados.
Críticas ao governo Lula
A pesquisa também avaliou a percepção dos entrevistados sobre o desempenho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O resultado é altamente negativo, com 88% classificando o governo Lula como ruim ou péssimo, especialmente devido ao aumento dos preços dos alimentos, apontado por 64% dos entrevistados, além da política econômica considerada inconsistente.
A atuação de Fernando Haddad como ministro da Fazenda também foi duramente criticada, com apenas 10% avaliando sua gestão positivamente. Além disso, 85% acreditam que a influência do ministro no governo Lula caiu significativamente nos últimos meses, o que amplia a percepção negativa sobre sua capacidade de implementar medidas eficazes.
Por outro lado, o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, teve uma avaliação mais equilibrada, com 45% dos entrevistados considerando sua gestão positiva. Outros 31% veem seu desempenho como regular, enquanto 24% possuem uma avaliação negativa.
A pesquisa, realizada entre economistas, investidores e analistas financeiros, tem margem de erro de três pontos percentuais para mais ou para menos.