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A recente alta da Selic para 14,25% ao ano reduziu drasticamente o número de fundos imobiliários (FIIs) que ainda oferecem dividendos acima do CDI. Há um ano, quando a taxa básica de juros estava em 10,50%, quase 70% dos FIIs superavam esse rendimento. Agora, segundo um levantamento da Economatica, apenas seis fundos mantêm essa vantagem.
O estudo analisou os 117 FIIs que compõem o Ifix, índice que reúne os fundos imobiliários mais negociados na bolsa, e considerou apenas aqueles com desempenho positivo nos últimos 12 meses. No início do ano, 14 fundos ainda entregavam retornos superiores ao CDI, que costuma ficar entre 0,1 e 0,2 ponto percentual abaixo da Selic.
Entre os poucos FIIs que resistiram à alta dos juros, o destaque é o CSHG Prime Offices (HGPO11), que investe em imóveis prontos e registrou um dividend yield (DY) de 46,61% nos últimos 12 meses. Na sequência, aparecem o Life Capital Partners FII (LIFE11), focado na aquisição de ativos financeiros e imobiliários, com DY de 16,09%, e o Arch Edifícios Corporativos (AIEC11), que atua no segmento de lajes corporativas, oferecendo um retorno de 15,94% no mesmo período.
A alta da Selic afeta diretamente os fundos de tijolos, que investem em imóveis físicos. O aumento dos juros encarece financiamentos e pode reduzir o consumo, impactando os resultados das empresas e a taxa de ocupação dos imóveis. Segundo Vanessa Morauer Voigt, analista sênior da Aware Investments, esse cenário pressiona a rentabilidade desses fundos.
Já os FIIs de papéis, que investem em ativos lastreados em créditos imobiliários, tendem a se beneficiar, pois seus rendimentos são corrigidos por índices atrelados à inflação e, em alguns casos, à própria taxa de juros. “Com a Selic subindo para conter a inflação, é natural que fundos atrelados a esses indexadores apresentem melhor desempenho”, explica Voigt.
Os fundos híbridos, que combinam investimentos em imóveis físicos, papéis e até outros FIIs, exigem uma análise mais detalhada para entender o impacto da Selic em suas carteiras.