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A Gol Linhas Aéreas deu mais um passo decisivo em seu processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, ao anunciar nesta segunda-feira (24) um acordo de financiamento com investidores para levantar até US$ 1,25 bilhão. O valor representa uma fatia significativa do total de US$ 1,9 bilhão em dívidas da companhia e será fundamental para sustentar a continuidade de suas operações durante o processo de reestruturação.
De acordo com comunicado enviado à Comissão de Valores Mobiliários (CVM), os recursos obtidos serão utilizados para quitar um financiamento anterior na modalidade debtor-in-possession — já acertado pela Gol e suas subsidiárias —, além de cobrir os custos do processo de reorganização. A verba também será direcionada para reforçar o capital de giro e manter o financiamento das atividades operacionais após a conclusão do processo sob o Capítulo 11 da lei de falências americana.
Embora represente um avanço importante, o chamado exit financing ainda depende da aprovação do Tribunal do Distrito de Nova York. Enquanto isso, a Gol sinalizou que continua avaliando alternativas complementares, como a emissão de novas dívidas ou a captação de investimentos por meio de participação acionária. O objetivo, segundo a companhia, é emergir do processo como uma empresa "independente e capitalizada".
A notícia repercutiu positivamente no mercado financeiro. As ações preferenciais GOLL4 registraram alta expressiva no início do pregão, com valorização de 7,75% por volta das 11h, sendo negociadas a R$ 1,53.
O processo de recuperação judicial da Gol nos Estados Unidos teve início em janeiro de 2024, quando a companhia buscou reestruturar seu passivo bilionário. Em novembro do mesmo ano, a empresa e sua controladora, o grupo Abra, fecharam um acordo com credores para reduzir a dívida em até US$ 2,5 bilhões, comprometendo-se ainda a levantar US$ 1,85 bilhão para amortizar débitos e reforçar o caixa.
Na sequência, em dezembro, a Gol apresentou à Justiça americana seu plano de reestruturação, incluindo projeções e estratégias para os próximos cinco anos. Já em fevereiro de 2025, o conselho de administração da empresa aprovou o pedido de cancelamento do registro das ações na SEC, a Comissão de Valores Mobiliários dos Estados Unidos.
Com uma série de etapas concluídas, a expectativa é que a companhia aérea encerre o processo de recuperação judicial até abril deste ano. A conclusão desse plano de reorganização é considerada um passo essencial para viabilizar a esperada fusão de negócios com a Azul (AZUL4), que deve redesenhar o mercado de aviação comercial no Brasil.