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A inflação medida pelo IPCA-15 acelerou para 1,23% em fevereiro, depois de registrar 0,11% em janeiro, segundo dados divulgados nesta terça-feira (25) pelo IBGE. O resultado veio abaixo da expectativa do mercado financeiro, que previa uma alta de 1,36%, conforme a mediana das projeções da Bloomberg, que variavam entre 1,2% e 1,5%.
Com o avanço deste mês, o IPCA-15 passou a acumular uma inflação de 4,96% nos últimos 12 meses, acima dos 4,5% registrados até janeiro. O índice havia desacelerado no início do ano por conta do desconto na conta de luz proporcionado pelo bônus de Itaipu, que entrou em vigor com atraso. Esse impacto temporário levou a uma taxa de inflação de 0,11% em janeiro, a menor para o mês desde o início do Plano Real.
A expectativa de aceleração do índice em fevereiro já era antecipada por economistas, impulsionada pela reversão do bônus na energia elétrica, pelo aumento do ICMS sobre combustíveis e pelos reajustes sazonais das mensalidades escolares.
Por ser divulgado antes, o IPCA-15 serve como uma prévia da inflação oficial do país, medida pelo IPCA. Embora ambos tenham a mesma metodologia de cálculo, há diferenças na coleta de dados. O IPCA-15 considera preços coletados entre a segunda metade do mês anterior e a primeira metade do mês de referência, enquanto o IPCA reflete o mês cheio. O resultado oficial da inflação de fevereiro será divulgado apenas em 12 de março.
O IPCA é o principal índice utilizado pelo Banco Central para o regime de metas de inflação. No último boletim Focus, divulgado na segunda-feira (24), o mercado projetou uma inflação de 5,65% para o fim de 2025, marcando a 19ª alta consecutiva da estimativa e se distanciando ainda mais do teto da meta, que é de 4,5%.
A partir deste ano, o Banco Central passará a monitorar a meta de inflação de forma contínua, sem mais considerar apenas o ano-calendário. Agora, o descumprimento da meta será caracterizado se o IPCA permanecer por seis meses consecutivos fora da faixa de tolerância, que varia entre 1,5% (piso) e 4,5% (teto), com o centro fixado em 3%.
Os economistas ainda veem pressões sobre os preços, especialmente no setor de serviços e nos alimentos, que vêm subindo por fatores climáticos e pela valorização do dólar. O aumento dos preços dos alimentos, em particular, tem gerado preocupações políticas, sendo apontado como um dos fatores que contribuem para a queda na popularidade do presidente Lula.