Trump anuncia novas tarifas comerciais e coloca Brasil na mira
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Em cerimônia realizada na Casa Branca, o republicano afirmou que a medida tem como principal objetivo trazer empregos e fábricas de volta aos EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (2) a imposição de novas tarifas sobre produtos importados, em um movimento que ele classificou como uma ação para restaurar a “reciprocidade comercial” com os parceiros internacionais. Em cerimônia realizada na Casa Branca, o republicano afirmou que a medida tem como principal objetivo trazer empregos e fábricas de volta aos EUA, reacendendo o discurso de reindustrialização que marcou sua primeira campanha presidencial.

Entre os países listados, o Brasil apareceu com uma taxa de 10%, de acordo com um quadro exibido por Trump durante o evento. "Estamos sendo muito gentis. Vamos cobrar aproximadamente metade daquilo que eles nos cobram", afirmou, ressaltando que, apesar do tom mais duro, as tarifas não serão completamente recíprocas. A taxação, no entanto, será aplicada de forma linear a todos os parceiros comerciais, com uma tarifa-base de 10% para importações de qualquer origem.

A medida marca o passo mais agressivo de Trump rumo ao que especialistas já descrevem como uma possível guerra comercial em escala global. O republicano chamou o anúncio de “Dia da Libertação”, sugerindo que o país está deixando de ser, em suas palavras, explorado comercialmente pelas demais nações.

Apesar do tom triunfalista, os riscos são significativos. Analistas do Deutsche Bank Research alertaram que, com as novas tarifas, a média de tributos sobre importações nos EUA pode saltar de 12% para 18% — o maior patamar desde os anos 1930, período em que vigorava a Lei Tarifária Smoot-Hawley, uma das responsáveis por agravar a Grande Depressão. O temor dos economistas é que o aumento dos custos seja repassado ao consumidor final, pressionando a inflação em um momento delicado para a economia norte-americana.

Trump já havia adotado medidas semelhantes em sua gestão anterior, impondo tarifas de 20% sobre produtos chineses, além de sobretaxas de 25% sobre aço e alumínio importados. Embora tenha adiado a aplicação total dessas tarifas para Canadá e México, a suspensão deve expirar nesta quarta-feira, o que indica uma escalada na retaliação comercial.

No caso do Brasil, a preocupação é particularmente alta. O país está entre os três maiores fornecedores de aço para os EUA, com US$ 2,66 bilhões em exportações no ano passado, segundo dados do governo americano. Produtos como blocos, placas, petróleo bruto, ferro semiacabado e aeronaves estão entre os mais afetados pelas novas tarifas. Além disso, a taxação sobre automóveis importados pode impactar diretamente o setor de autopeças brasileiro, que exportou cerca de US$ 1,3 bilhão para os Estados Unidos em 2024.

Diante da ofensiva americana, o governo brasileiro se antecipou. Na véspera do anúncio, o Senado aprovou um projeto de lei que autoriza o Executivo a retaliar comercialmente países que imponham barreiras consideradas discriminatórias aos produtos nacionais. A proposta contou com apoio da base do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e da bancada ruralista, e deve ser analisada pela Câmara ainda nesta semana.

Para justificar a nova rodada de tarifas, Trump afirmou que os EUA vêm sendo explorados por tarifas elevadas impostas por outros países e que as novas medidas são necessárias para equilibrar as relações comerciais e estimular a produção interna. No entanto, o próprio governo norte-americano e representantes do mercado já haviam emitido alertas sobre os efeitos colaterais da política tarifária, incluindo riscos à inflação, à cadeia produtiva global e ao relacionamento diplomático com aliados estratégicos.

 

Com a decisão, o presidente norte-americano intensifica sua agenda protecionista em pleno ano eleitoral e reacende um clima de incerteza no comércio internacional. Para o Brasil, o desafio será conciliar diplomacia com firmeza, enquanto busca minimizar os impactos sobre setores-chave da economia nacional.

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