Venda do Banco Master ao BRB expõe riscos e pressiona Fundo Garantidor de Crédito
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O passivo do Master, segundo estimativas do Valor Econômico, corresponde a cerca de 50% do total do FGC — que hoje ultrapassa os R$ 120 bilhões

A recente compra de participação no Banco Master pelo Banco de Brasília (BRB), ao custo de aproximadamente R$ 2 bilhões, acendeu um alerta no sistema financeiro. Embora a operação tenha sido recebida como uma espécie de socorro ao banco, os riscos continuam à mesa. Fontes próximas à negociação afirmam que o Fundo Garantidor de Crédito (FGC) está preparado para uma eventual quebra do Master, embora trabalhe ativamente para evitar esse desfecho.

O temor não é infundado. O passivo do Master, segundo estimativas do Valor Econômico, corresponde a cerca de 50% do total do FGC — que hoje ultrapassa os R$ 120 bilhões. Isso significa que, em caso de colapso, o banco poderia consumir metade da reserva de emergência utilizada para proteger investidores e evitar calotes no sistema bancário. O cenário preocupa bancos e autoridades, pois uma intervenção do fundo em larga escala pressionaria as contribuições compulsórias das instituições financeiras, que por sua vez repassariam os custos aos clientes.

A situação se agrava pelo fato de que o próprio Master usava o FGC como ferramenta de marketing para vender seus CDBs com rendimento agressivo, chegando a oferecer até 140% do CDI. Essa estratégia atraiu uma base significativa de investidores, mas aumentou o risco sistêmico diante da fragilidade da carteira do banco, que é composta em grande parte por precatórios e ações de empresas em situação financeira delicada — um perfil bem distinto dos bancos médios tradicionais, mais focados em crédito ao varejo e atacado.

Apesar da aquisição, o BRB deixou de fora cerca de R$ 23 bilhões em passivos do Master. Ou seja, a transação não resolve o problema central, ainda que possa fazer parte de uma solução mais ampla. Uma fonte com conhecimento direto das negociações afirmou que o banco foi oferecido a instituições privadas, mas o alto risco da carteira impediu qualquer avanço.

O Banco Central tem até 360 dias para avaliar a operação. Enquanto isso, não há proposta concreta de injeção de capital adicional por parte dos grandes bancos — medida que poderia ser necessária se a situação se deteriorar. O temor entre banqueiros e agentes do mercado é que uma eventual intervenção cause uma reação em cadeia, elevando os riscos no setor e comprometendo a estabilidade conquistada nos últimos anos.

Criado justamente para evitar crises como essa, o FGC é uma entidade privada sem fins lucrativos que garante depósitos e aplicações financeiras até o limite de R$ 250 mil por CPF. Além de proteger investidores em caso de falência de instituições, o fundo pode atuar preventivamente para evitar que bancos entrem em colapso. Cada instituição financeira contribui com 0,0125% sobre o saldo dos depósitos elegíveis à cobertura do FGC, o que forma a base do fundo.

 

Paralelamente, tramitam no Congresso propostas que buscam ampliar esse limite de garantia para até R$ 1 milhão por pessoa, como o Projeto de Lei 4.395/2024, de autoria do deputado Filipe Barros (PL-PR). A proposta também foi encampada anteriormente por Ciro Nogueira (PP-PI). No entanto, entidades do setor financeiro têm se manifestado contra a medida, alegando que o atual limite já cobre mais de 99% das contas e depósitos no país. Para elas, a mudança poderia comprometer o equilíbrio do sistema e colocar em risco a efetividade do próprio FGC.

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