
A expansão hoteleira da Accor ocorre em um momento em que o agronegócio se consolida como motor de crescimento no setor de hospedagem. A busca por acomodações em novos polos econômicos, especialmente no Centro-Oeste, tem impulsionado a chegada de clientes corporativos e ampliado a demanda em cidades fora dos grandes centros. O quarto setor também vem estimulando redes internacionais a expandirem sua atuação para o interior, acompanhando o avanço das cadeias produtivas agrícolas.
A estratégia da Accor para esse cenário combina diferentes formatos de operação. Metade dos 325 empreendimentos da rede no Brasil é administrada diretamente pela companhia, enquanto a outra metade pertence a parceiros. O modelo híbrido permite que a empresa acompanhe o desempenho das unidades e abra espaço para que investidores regionais acelerem a expansão das marcas. No total, essas unidades representam 51,5 mil quartos no País, distribuídos em hotéis de luxo, executivos e econômicos.
A rede francesa opera marcas como Fairmont, MGallery e Sofitel nas categorias premium, além de bandeiras voltadas a públicos mais amplos, como Ibis, Novotel, Mercure, Pullman, Tribe e Handwritten Collection. A diversidade de perfis atende tanto ao viajante corporativo quanto ao turista que busca opções mais acessíveis, o que ajuda a manter ocupação elevada em diferentes mercados.
O fortalecimento do modelo de franquias tem papel central no plano de expansão da companhia. Segundo dados compilados pela empresa, 90% dos aportes previstos nos próximos anos serão feitos por investidores que já firmaram contratos para abrir hotéis utilizando o padrão e as marcas da rede. A Accor considera que esse formato oferece mais escala e rapidez de implantação, além de reduzir custos estruturais.
Com essa estratégia, a multinacional francesa movimentará investimentos de R$ 3 bilhões para abrir 68 novos hotéis no Brasil ao longo dos próximos três anos. Os aportes refletem a visão da empresa de que o mercado brasileiro atravessa um período de forte dinamismo, com altas nas taxas de ocupação e aumento das diárias, fatores que favorecem a expansão das operações.
No modelo de franquia, o carro-chefe da Accor é a bandeira Ibis. A marca responde pela maioria das unidades a serem inauguradas nos próximos anos. Abrir uma unidade do Íbis custa em torno de R$ 20 milhões (edifício, mobília e afins, sem contar o terreno), o que tem atraído famílias de alto poder aquisitivo que buscam diversificar o portfólio de investimentos. “O Ibis é a primeira marca que vem à cabeça quando se fala em hotel. Ele cabe em Copacabana, na Avenida Paulista e nas cidades do interior”, comentou Castro.
Além dos investidores individuais, a Accor possui grandes parceiras franqueadoras como a Átrio (72 hotéis em operação e oito em desenvolvimento em parceria com a rede) e Souza Maria (17 unidades em operação e 10 em desenvolvimento em parceria com a rede).









