Os fundos de índice negociados em bolsa, conhecidos como ETFs, registraram avanço relevante no mercado brasileiro ao longo de 2025, após um período de retração no ano anterior. Entre o início de 2025 e novembro, a classe acumulou captação líquida positiva de R$ 13,3 bilhões, impulsionada principalmente pelos produtos de renda fixa, que concentraram cerca de R$ 10 bilhões desse total, segundo dados da Anbima. No mesmo intervalo de 2024, os ETFs haviam registrado saída líquida de R$ 2,7 bilhões.
Os ETFs têm como objetivo replicar índices de referência, que podem ser compostos por ações ou títulos de renda fixa. O primeiro produto do tipo lançado no Brasil, em 2004, acompanhava o desempenho do Ibovespa. Desde então, a oferta se diversificou e passou a incluir estratégias que combinam renda variável e renda fixa, além de exposição a crédito privado, ouro e ativos digitais. Em 2025, foram lançados 53 novos ETFs no país, de acordo com dados da B3.
Apesar da expansão, o patrimônio líquido total dos ETFs no Brasil ainda representa parcela reduzida da indústria de fundos. Em novembro, o volume somava cerca de R$ 70 bilhões, dos quais R$ 49 bilhões estavam alocados em renda variável, o equivalente a aproximadamente 0,8% do total da indústria, segundo a Anbima. Em comparação, em dezembro de 2020 o patrimônio era de R$ 34 bilhões.
Para Renato Eid, superintendente de estratégias indexadas e investimento responsável da Itaú Asset, o crescimento reflete maior maturidade do mercado. A gestora, que detém cerca de 28% de participação no segmento, aponta fatores como liquidez, custos reduzidos, transparência e regras tributárias como elementos que contribuem para a expansão da classe. Atualmente, a Itaú Asset possui 26 ETFs listados, sendo oito com patrimônio superior a R$ 1 bilhão, e estima que cerca de R$ 8 bilhões no país estejam aplicados em ETFs com exposição a criptoativos.
Dados da B3 indicam que mais de 850 mil investidores mantêm posição em ETFs no Brasil, sendo cerca de 666 mil pessoas físicas, distribuídos em 162 produtos listados. No mercado global, o número de ETFs supera 14 mil. Nos Estados Unidos, onde há cerca de 4 mil ETFs listados, aproximadamente metade dos investidores pessoas físicas possui ao menos um produto desse tipo na carteira, percentual que no Brasil permanece abaixo de 10%. Na Europa, essa proporção é estimada em 20%.
A Investo, do grupo VanEck, é a maior gestora independente especializada em ETFs no país. A empresa conta com 28 produtos, sendo 11 lançados em 2025, e administra cerca de R$ 5,4 bilhões. Segundo a diretora comercial e sócia Alessandra Gontijo, aproximadamente 25% dos aportes realizados em ETFs no Brasil em 2025 foram direcionados a produtos da gestora. O ETF LFTB11, lançado há um ano, alcançou patrimônio de R$ 1,5 bilhão.
O crescimento também tem atraído investidores institucionais, além do público de varejo. A Investo superou 180 mil investidores em custódia, aumento de 74 mil em relação ao fim de 2024. Para gestores do setor, o movimento ocorre mesmo em um ambiente de juros elevados e incertezas no cenário político internacional.
Isaac Marcovistz, gerente executivo da BB Asset, avalia que, no exterior, os ETFs já representam entre 20% e 30% da indústria de investimentos e que o Brasil tende a seguir trajetória semelhante com a entrada de investidores mais jovens no mercado. Segundo ele, empresas e fundos de pensão também passaram a utilizar ETFs para gestão de caixa. A gestora planeja lançar dois ETFs de crédito privado até o primeiro trimestre de 2026.
Na XP Asset, a avaliação é de que há espaço para expansão da classe diante da expectativa de cortes de juros em 2026. Segundo o sócio e gestor Danilo Gabriel, o crescimento da participação de ETFs tende a ser gradual, especialmente entre pessoas físicas. A gestora ainda não possui ETFs de renda fixa, mas considera a entrada nesse segmento no futuro.
Já a BlackRock avalia que a demanda local por ETFs de renda fixa ainda não é suficiente para justificar lançamentos domésticos, mantendo a oferta por meio de BDRs de ETFs estrangeiros. A empresa aponta concorrência direta com títulos públicos e instrumentos incentivados, como debêntures, CRIs, CRAs, LCIs e LCAs.
No mercado internacional, uma das tendências recentes é o crescimento dos ETFs de gestão ativa, que permitem maior discricionariedade ao gestor. Em 2024, cerca de 77% das novas listagens desse tipo nos Estados Unidos seguiram esse modelo, segundo dados da B3. No Brasil, a estrutura ainda não é permitida, mas as regras estão em discussão entre Anbima e Comissão de Valores Mobiliários, sem prazo definido para conclusão.









