Pesquisa divulgada pela Febraban indica melhora nas expectativas do setor bancário em relação ao crescimento do crédito, diante da perspectiva de expansão das operações com recursos direcionados. Segundo o levantamento, 73,7% das instituições avaliam que a desaceleração do crédito tende a ocorrer de forma gradual, em função da resiliência do mercado de trabalho e da atuação de estímulos públicos, que devem compensar parcialmente os efeitos da política monetária contracionista e do aumento da inadimplência.
A projeção para o crescimento da carteira de crédito em 2025 foi revisada de 8,9%, estimativa feita em novembro, para 9,2% na pesquisa realizada em dezembro. Para 2026, os bancos passaram a projetar expansão de 8,2% da carteira de crédito, acima da previsão anterior de 7,9%, conforme os dados divulgados pela entidade.
De acordo com a Febraban, os números mais recentes do mercado indicam que a carteira de crédito segue apresentando crescimento elevado, mesmo com a taxa básica de juros em patamar restritivo. O levantamento ouviu 20 instituições financeiras no período entre 17 e 19 de dezembro.
A principal revisão ocorreu nas expectativas relacionadas ao crédito direcionado, segmento em que os bancos públicos concentram maior participação. A projeção de crescimento do saldo dessa carteira em 2025 foi elevada de 10,1% para 10,9%. Para 2026, a estimativa passou de 9% para 9,4%, percentual superior ao crescimento de 7,6% projetado para o crédito com recursos livres.
Segundo a pesquisa, os bancos esperam que a taxa de inadimplência avance de 5,1% em 2025 para 5,2% em 2026. Para cerca de 70% das instituições consultadas, o Banco Central deve iniciar o ciclo de redução da taxa Selic apenas em março, levando os juros de 15% para 13% até agosto.
Metade dos bancos avalia que estímulos fiscais e de crédito mantidos pelo governo, combinados a um mercado de trabalho ainda aquecido, podem dificultar a convergência da inflação para 3,5%, patamar considerado pelo Banco Central como referência para o período.
No que se refere às contas públicas, 80% das instituições financeiras entrevistadas entendem que o governo precisará adotar medidas adicionais para cumprir a meta do arcabouço fiscal, que prevê ao menos o equilíbrio do resultado primário. A avaliação predominante é de que a estratégia envolverá aumento de receitas ou a retirada de determinadas despesas do limite estabelecido pelo arcabouço.










