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Ações brasileiras disparam em 2025 e mostram que juros altos não impedem ganhos na bolsa

Juros altos não travaram bolsa brasileira em 2025 e quem manteve estratégia colheu resultados

Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional

As ações brasileiras encerraram 2025 com ótimo desempenho, mesmo em um cenário de juros elevados. O movimento contrariou a percepção comum de que a renda variável perde atratividade quando a taxa básica de juros está em patamar elevado.

O Ibovespa, principal indicador do desempenho das ações no país, saiu da faixa dos 120 mil pontos no início do ano e terminou 2025 próximo dos 161 mil pontos, com valorização acumulada de 33,95%, o melhor resultado anual desde 2016.

Ao longo do ano, a taxa Selic iniciou em 13,25% e subiu para 15% ao ano. Mesmo assim, dados de inflação e atividade passaram a indicar desaceleração ao longo do segundo semestre. Esses dados passaram a ser reconhecidos pelo Banco Central e reforçaram a percepção do mercado de que os juros poderiam parar de subir e, mais adiante, começar a cair, o que aumentou o interesse dos investidores pelas ações.

Só para lembrar: quando os juros estão altos, os investidores correm para renda fixa pois essa performa melhor. Mas, um alerta que faço: é perigoso concentrar todo seu patrimônio em renda fixa só porque naquele momento o cenário dela está favorável. Lembre-se: isso é momentâneo e o mercado muda a cada segundo que você respira.

A perspectiva de cortes da Selic em 2026 e o início da redução dos juros nos Estados Unidos pelo Federal Reserve favoreceram o fluxo de capital estrangeiro para as ações negociadas na B3. Entre janeiro e novembro, a bolsa registrou ingresso líquido relevante de recursos externos, revertendo o saldo negativo do ano anterior.

O resultado de 2025 deixa uma lição: juros altos não impedem, por si só, a valorização das ações. Fechar os olhos para a bolsa em períodos de aperto monetário pode significar perder movimentos importantes do mercado, especialmente quando expectativas, preços e ciclos econômicos começam a mudar.

Por isso sempre reforço nos meus artigos: diversifique para que seu patrimônio esteja protegido. As oscilações do mercado vão continuar, especialmente em ano eleitoral. O que determina o resultado no longo prazo não é o movimento do mercado, mas a forma como o investidor reage a ele. Manter constância, diversificação e paciência. Esse é o verdadeiro trio do investidor astuto.

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