O agronegócio brasileiro manteve ritmo acelerado nas exportações e alcançou um novo recorde em 2025, com vendas externas estimadas em US$ 169,5 bilhões, segundo cálculos da Folha com base em dados da Secretaria de Comércio Exterior. O resultado supera o recorde anterior de US$ 164,3 bilhões registrado em 2024, mesmo diante de tarifas comerciais e da ocorrência inédita de gripe aviária no país.
Sete produtos concentraram a maior parte das receitas. A soja respondeu pelo maior volume exportado, com 108,2 milhões de toneladas embarcadas ao exterior. A China foi o principal destino, absorvendo 85,4 milhões de toneladas, volume 18% superior ao de 2024. As exportações da oleaginosa geraram receitas de US$ 43,5 bilhões.
As carnes foram o principal destaque em termos de crescimento. Apesar das restrições sanitárias e das dificuldades em negociações comerciais, o setor alcançou US$ 30 bilhões em receitas, alta de 22% em relação ao ano anterior. O desempenho ocorreu mesmo com barreiras impostas por alguns países após a confirmação de casos de gripe aviária no Brasil.
O café também apresentou forte expansão nas receitas, somando US$ 14,9 bilhões, avanço de 31% na comparação anual. A alta foi sustentada principalmente pela elevação dos preços internacionais, apesar das tarifas aplicadas por seu principal importador durante parte do segundo semestre.
As exportações de celulose renderam US$ 10,3 bilhões, valor próximo ao registrado em 2024. O algodão alcançou US$ 5,1 bilhões, mantendo nível semelhante ao do ano anterior. Já o milho voltou a ganhar espaço após retração em 2024, com embarques de 41 milhões de toneladas e receitas de US$ 8,6 bilhões.
O açúcar foi o principal ponto de retração. As exportações recuaram para 33,8 milhões de toneladas, queda de 12%, enquanto as receitas diminuíram 24%, totalizando US$ 14,1 bilhões, reflexo da redução dos preços médios no mercado internacional.
No movimento inverso, as importações do agronegócio continuaram em alta e somaram US$ 38,6 bilhões em 2025. Os fertilizantes lideraram os gastos, com US$ 15,5 bilhões. As compras externas de trigo totalizaram US$ 1,6 bilhão, enquanto azeite de oliva e óleo de coco responderam por US$ 601 milhões e US$ 507 milhões, respectivamente.
No segmento de aves, as exportações de carne de frango atingiram o recorde de 5,3 milhões de toneladas, crescimento de 0,6% em relação a 2024, segundo dados da Associação Brasileira de Proteína Animal, com base na Secex. As receitas, contudo, recuaram 14%, totalizando US$ 9,8 bilhões, refletindo a queda dos preços internacionais.
Os Emirados Árabes Unidos assumiram a liderança entre os importadores de carne de frango brasileira, com 480 mil toneladas adquiridas. Japão e Arábia Saudita vieram na sequência, com 403 mil e 397 mil toneladas, respectivamente.










