Os mercados emergentes vêm registrando uma redução relevante no prêmio de risco de seus títulos soberanos, que retornou aos menores níveis observados em vários anos. Na prática, isso significa que investidores globais estão exigindo um retorno adicional menor para adquirir a dívida desses países em relação a ativos considerados livres de risco, como os títulos do Tesouro dos Estados Unidos.
Segundo o coordenador de Produtos da InvestSmart XP, Rafael Bellas, esse movimento indica uma percepção momentânea de menor risco associado aos emergentes, embora não represente a eliminação das fragilidades estruturais que caracterizam esse grupo de economias. Para o analista, trata-se de um ambiente mais favorável, mas ainda sujeito a mudanças rápidas no cenário internacional.
A compressão do prêmio de risco reflete uma combinação de fatores. Entre eles estão sinais de maior disciplina fiscal e melhora das contas externas em parte dos países emergentes, além de expectativas de crescimento econômico relativamente superiores às das economias avançadas. Outro elemento central é o contexto externo, marcado pela possibilidade de cortes de juros nos Estados Unidos, que incentiva investidores a buscar ativos com maior potencial de retorno.
De acordo com Bellas, o cenário atual descreve uma economia global sem sinais claros de recessão profunda e sem pressões inflacionárias intensas. Ainda assim, esse equilíbrio depende de premissas que podem se alterar, como a trajetória dos juros internacionais, eventuais tensões geopolíticas e o comportamento dos preços das commodities, fatores que costumam ter impacto direto sobre economias emergentes.
Embora a redução do prêmio de risco contribua para diminuir os custos de financiamento e melhorar o acesso desses países ao mercado internacional de capitais, o analista ressalta que os riscos típicos dos emergentes permanecem presentes. O movimento atual, portanto, deve ser interpretado como conjuntural e sensível a mudanças nas expectativas globais.
Para Rafael Bellas, a queda do prêmio de risco sinaliza um maior apetite dos investidores por ativos de mercados emergentes neste momento, mas exige cautela. Caso as projeções de crescimento e de flexibilização da política monetária global não se confirmem, o cenário pode se reverter, levando a uma reprecificação desses ativos.









