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Mercado de petróleo reage a sinais sobre oferta venezuelana e preços

Análise da Argus aponta impacto limitado por ora, mas risco de pressão adicional nos preços do petróleo

O mercado internacional de petróleo vem registrando aumento da volatilidade diante das tensões recentes entre Estados Unidos e Venezuela e das discussões sobre um possível retorno do petróleo venezuelano ao mercado global. Segundo avaliação da Argus, as oscilações refletem principalmente a sensibilidade dos investidores às expectativas de oferta, mais do que mudanças concretas no fluxo físico da commodity.

De acordo com Gustavo Vasquez, responsável pela precificação de petróleo e GLP nas Américas da Argus, os preços futuros globais, em especial o contrato do petróleo WTI negociado em Nova York, apresentaram forte volatilidade ao longo da semana. O movimento ocorreu à medida que surgiram notícias sobre um possível plano para reintroduzir o petróleo venezuelano no mercado, ao menos parcialmente voltado aos Estados Unidos.

Após uma queda acentuada na quarta-feira, provocada por anúncios do governo norte-americano indicando que grandes volumes de petróleo venezuelano poderiam se tornar imediatamente disponíveis, os preços reagiram no pregão seguinte. O WTI avançou cerca de US$ 2,30 por barril, alcançando aproximadamente US$ 58,30, nível próximo ao observado no fim de dezembro, quando a média semanal ficou em torno de US$ 58,11 por barril.

Enquanto o petróleo de referência mostrou recuperação, os petróleos pesados e com maior teor de enxofre nas Américas passaram a sofrer maior pressão. Segundo Vasquez, o impacto foi mais visível na costa do Golfo dos Estados Unidos, onde o Western Canadian Select atingiu o menor preço desde novembro de 2023. Parte desse movimento está associada ao aumento da produção de petróleo no Canadá, que alcançou um recorde de 4,4 milhões de barris por dia em novembro, elevando a oferta disponível na região.

O analista observa que, até o momento, não há indícios de redução significativa da produção canadense desde então, o que reforça a leitura de que a queda nos preços do petróleo canadense na costa do Golfo reflete essencialmente o aumento da oferta. Em contrapartida, outros petróleos da América Latina não apresentaram movimentos relevantes de preço. O petróleo da Colômbia, que possui características semelhantes ao venezuelano, manteve-se relativamente estável, segundo a Argus.

Vasquez destaca que as informações sobre uma possível suspensão de restrições às vendas de petróleo venezuelano pelos Estados Unidos, ainda que condicionais, não se refletiram de forma direta nos preços até agora. No entanto, esse fator pode adicionar pressão ao mercado caso os agentes passem a interpretar que a medida resultará efetivamente em maior oferta global.

Apesar disso, o analista ressalta que a materialização desse cenário ainda é incerta, principalmente devido à complexidade logística envolvida na exportação do petróleo venezuelano. Assim, o mercado segue reagindo de forma cautelosa às sinalizações políticas, enquanto aguarda maior clareza sobre o impacto real dessas decisões na oferta de petróleo.

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