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Fundo amplia patrimônio após aporte ligado ao Banco Master

Fundo Brain Cash teve aumento abrupto de patrimônio e entrou na mira do BC e do MPF

Uma operação envolvendo o Fundo Brain Cash, administrado pela Reag, passou a ser analisada pelo Banco Central e pelo Ministério Público Federal após a identificação de uma valorização abrupta de seu patrimônio em um curto intervalo de tempo. O fundo, criado em abril de 2024, recebeu R$ 450 milhões provenientes de um empréstimo concedido pelo Banco Master apenas 20 dias após sua constituição, o que multiplicou seu patrimônio em cerca de 30 mil vezes.

O Brain Cash foi registrado em 5 de abril de 2024 com patrimônio inicial de R$ 15 mil e objetivo declarado de investir em ativos de crédito privado, como títulos de renda fixa e dívidas corporativas. À época, o fundo possuía apenas um cotista, a empresa Brain Realty Consultoria e Participações Imobiliárias, dirigida por uma ex-funcionária da Reag.

Em 24 de abril, às 15h22, o fundo recebeu um aporte de R$ 450 milhões realizado por sua única cotista. Dois dias antes da operação, a Brain Realty havia contratado um empréstimo de R$ 459 milhões junto ao Banco Master. O valor representava parcela relevante do capital da empresa, que havia ampliado seu capital social meses antes da operação de crédito.

Segundo as apurações, a aplicação dos recursos no Brain Cash ocorreu de forma quase imediata. Cerca de uma hora e meia após o aporte, o montante foi transferido para o Fundo D Mais, também administrado no âmbito da Reag. Esse fundo mantinha em sua carteira títulos associados ao extinto Banco do Estado de Santa Catarina, incorporado pelo Banco do Brasil em 2008.

Poucos minutos depois, o Fundo D Mais repassou os mesmos R$ 450 milhões ao FIDC High Tower para liquidar parte de uma aquisição desses títulos. De acordo com as investigações, o High Tower reavaliou ativos de baixa liquidez por valores significativamente superiores aos praticados no mercado, registrando uma rentabilidade superior a 10 milhões por cento em 2024.

As autoridades apuram uma sequência de operações consideradas atípicas, algumas delas realizadas de forma fracionada e com trânsito por diferentes camadas de fundos. A suspeita é de que o objetivo dessas movimentações seria reavaliar artificialmente ativos e gerar rentabilidades elevadas sem lastro em ganhos econômicos efetivos.

A investigação também aponta indícios de que, após circular por diversos fundos administrados pela Reag, parte dos recursos teria retornado ao Banco Master por meio da aquisição de Certificados de Depósito Bancário, principal instrumento de captação da instituição financeira antes de sua liquidação.

Procurada, a Reag informou, em nota, que os valores decorrem de operações de crédito estruturadas, cujos desembolsos estariam condicionados ao avanço de projetos específicos e ao cumprimento de marcos contratuais. Segundo a gestora, enquanto essas condições não eram atendidas, os recursos deveriam permanecer aplicados em instrumentos financeiros vinculados ao credor, prática que afirma ser comum no mercado de crédito estruturado. O Banco Master não se manifestou.

As informações são do jornal O Globo

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