
Os preços do ouro e da prata avançaram de forma acentuada na manhã desta segunda-feira, atingindo novos recordes, em meio a um movimento de aversão ao risco nos mercados globais. O movimento ocorreu após promotores dos Estados Unidos iniciarem uma investigação criminal contra o presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, o que ampliou as preocupações sobre a independência da autoridade monetária americana.
O ouro chegou a registrar alta de até 2%, alcançando US$ 4.600 por onça troy, enquanto a prata avançou até 5,9%, sendo negociada a US$ 84,60. A valorização dos metais ocorreu simultaneamente à queda do dólar e dos mercados acionários, refletindo a busca de investidores por ativos considerados de proteção.
O dólar recuou até 0,5% frente a uma cesta de seis das principais moedas globais. No início da manhã, o índice que mede o desempenho da moeda americana registrava queda de 0,31%, com desvalorização frente ao euro e ao franco suíço. Nos mercados acionários, os futuros dos Estados Unidos também operaram em baixa, com os contratos do S&P 500 caindo 0,7% e os do Nasdaq 100 recuando 0,9%. Na Europa, o índice Stoxx 600 apresentava leve queda.
No mercado de renda fixa, o rendimento do título do Tesouro americano de 10 anos subiu para 4,2%, em movimento inverso ao preço do papel. Para gestores e analistas, o comportamento dos ativos reflete o impacto direto da percepção de interferência política sobre o banco central dos Estados Unidos.
A investigação ganhou destaque após Powell informar, no domingo, que o Fed recebeu intimações de um grande júri e uma ameaça de acusação criminal do Departamento de Justiça relacionadas ao seu depoimento ao Congresso sobre a reforma de US$ 2,5 bilhões da sede da instituição. O episódio ocorre em meio a pressões do governo do presidente Donald Trump para que o Fed acelere o ritmo de cortes de juros.
Analistas avaliam que o mercado ainda busca dimensionar os efeitos do caso. Há a leitura de que uma eventual perda de autonomia do Fed poderia pressionar o dólar, elevar expectativas de inflação e manter a volatilidade elevada, especialmente nos mercados de metais preciosos.
O recorde do ouro também foi associado ao aumento das tensões geopolíticas. Pouco mais de uma semana após forças americanas capturarem o presidente venezuelano Nicolás Maduro, Trump afirmou que considera operações militares contra o Irã, ampliando a percepção de risco global.
Nesse contexto, gestores destacam que o ouro tem reagido de forma mais sensível aos riscos políticos e geopolíticos do que outros ativos tradicionais, como ações, títulos ou petróleo, mantendo sua posição como principal instrumento de proteção em cenários de incerteza elevada.










