
As fraudes envolvendo criptomoedas avançaram em escala e complexidade ao longo de 2025 e podem ter provocado perdas de até US$ 17 bilhões no período, segundo o capítulo “Scams” do 2026 Crypto Crime Report, divulgado pela Chainalysis. A estimativa considera tanto os valores já identificados em transações on-chain quanto projeções baseadas na descoberta contínua de novos endereços associados a atividades ilícitas.
Até o momento, a análise indica que golpes com criptoativos receberam ao menos US$ 14 bilhões em 2025. De acordo com o relatório, esse número tende a aumentar à medida que novas carteiras vinculadas a esquemas fraudulentos sejam identificadas, processo comum em investigações desse tipo, que se estendem ao longo do tempo.
Além do crescimento no volume total, o levantamento mostra que as fraudes se tornaram mais rentáveis por vítima. Em 2025, o valor médio transferido em golpes subiu de US$ 782 para US$ 2.764, uma alta de 253% em relação ao ano anterior, indicando maior capacidade de convencimento por parte das operações criminosas.
Esse movimento está associado à expansão dos golpes de impersonação, nos quais criminosos se passam por empresas, plataformas digitais, autoridades ou figuras públicas. Esse tipo de fraude registrou crescimento superior a 1.400% em comparação com 2024, tornando-se um dos vetores mais dinâmicos no ecossistema de golpes com criptomoedas.
O relatório aponta que categorias tradicionais de fraude, como esquemas de investimento de alto rendimento e o chamado pig butchering, continuam concentrando volumes relevantes, mas passaram a ser combinadas com outras táticas. Em muitos casos, uma mesma operação reúne engenharia social, phishing, manipulação técnica de carteiras digitais e múltiplas estratégias de persuasão, elevando o grau de sofisticação dos golpes.
Segundo a análise, esse avanço foi impulsionado pelo uso crescente de ferramentas tecnológicas, como serviços de phishing-as-a-service, conteúdos gerados por inteligência artificial e recursos de deepfake, que tornam as abordagens fraudulentas mais convincentes e difíceis de detectar. Com isso, os golpes passaram a operar de forma estruturada, com características semelhantes a modelos industriais, capazes de escalar rapidamente.
Os dados on-chain também indicam a atuação de redes criminosas concentradas no leste e sudeste da Ásia à frente de grandes operações de fraude. Em alguns casos, essas estruturas estão ligadas a esquemas que envolvem exploração humana, com pessoas traficadas sendo forçadas a atuar em centros de golpes, especialmente em países como Camboja e Mianmar.
Ao mesmo tempo, o relatório registra avanços na resposta das autoridades. Entre os casos citados estão a apreensão de mais de 61 mil bitcoins no Reino Unido, em uma das maiores recuperações de criptoativos já registradas no país, e uma operação que resultou no confisco de US$ 15 bilhões em ativos associados ao Prince Group, organização ligada a fraudes em larga escala.
Para os analistas responsáveis pelo estudo, os dados de 2025 indicam que os golpes com criptomoedas entraram em uma fase de profissionalização acelerada, combinando tecnologia avançada, engenharia social e infraestrutura criminosa global, o que amplia os desafios para o combate a esse tipo de crime.









