O índice de preços ao consumidor dos Estados Unidos avançou 0,3% em dezembro, resultado em linha com as expectativas do mercado. O núcleo da inflação apresentou surpresa positiva ao registrar alta de 0,2%, abaixo da projeção de 0,3%, indicando alguma moderação nas pressões subjacentes no encerramento do ano.
Apesar do comportamento mais benigno do núcleo no último mês, a inflação acumulada em 12 meses fechou 2025 em 2,7%, permanecendo acima da meta de longo prazo de 2%. O resultado reforça a avaliação de que o processo de desinflação segue incompleto e ajuda a explicar a postura cautelosa adotada pelo Federal Reserve.
Segundo a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, a persistência inflacionária tem sustentado um discurso fortemente dependente dos dados por parte da autoridade monetária norte-americana. Embora o Fed tenha iniciado o ciclo de cortes de juros no ano passado, a leitura mais recente do CPI levou o mercado a precificar uma pausa nesse movimento já na reunião de janeiro.
A analista destaca que o cenário de política monetária nos Estados Unidos também é influenciado por fatores institucionais e políticos. Em maio deste ano está prevista a mudança na presidência do banco central, o que adiciona um elemento adicional de incerteza ao ambiente macroeconômico.
De acordo com Sara Paixão, os ruídos recentes relacionados a pressões políticas por uma redução mais acelerada dos juros elevaram as dúvidas do mercado quanto à preservação da independência do Federal Reserve. Esse contexto tende a manter a autoridade monetária cautelosa e reforça a importância dos próximos dados de inflação e atividade para a definição da trajetória dos juros ao longo de 2026.









