O setor de serviços registrou variação negativa de 0,1% em novembro, resultado que ficou abaixo da expectativa do mercado, que projetava avanço de 0,1%, e interrompeu uma sequência de nove resultados positivos consecutivos. O desempenho reforça a leitura de desaceleração da atividade econômica no último trimestre do ano passado, especialmente diante do impacto observado em segmentos mais sensíveis ao ritmo da economia.
Segundo a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, o principal destaque negativo no mês foi o segmento de transportes, que contribuiu de forma relevante para o recuo do índice. Para a analista, o resultado sinaliza uma perda de fôlego da atividade no fim do ano, em linha com outros indicadores recentes.
Apesar da queda pontual, Paixão ressalta que o setor de serviços ainda se mantém cerca de 20% acima do nível pré-pandemia. Esse patamar mais elevado é explicado, em grande parte, pelo avanço da renda real da população observado nos últimos anos, fator que beneficiou especialmente os serviços, tradicionalmente mais dependentes do consumo das famílias.
A desaceleração do setor é um dos elementos considerados pelo Banco Central do Brasil na avaliação do cenário macroeconômico. De acordo com a analista, o resultado reforça a percepção de que a autoridade monetária pode iniciar o ciclo de cortes de juros a partir da segunda reunião do Copom no ano, conforme já esperado por parte do mercado. Após a divulgação dos dados, a curva de juros passou a operar em queda na maioria dos vértices.
Ainda assim, Sara Paixão destaca que existem fatores que podem contribuir para uma reaceleração do setor de serviços ao longo deste ano. Entre eles está a redução do imposto de renda para contribuintes com renda mensal de até R$ 5 mil, medida que tende a elevar a renda disponível e sustentar a demanda por serviços nos próximos meses.









