O Banco de Brasília (BRB) informou que poderá receber aportes do governo do Distrito Federal para recompor seu capital, caso sejam confirmados prejuízos decorrentes da compra de carteiras de crédito do Banco Master. A instituição é controlada pelo Executivo local, chefiado pelo governador Ibaneis Rocha.
Em março do ano passado, o BRB apresentou uma proposta para adquirir parte do Banco Master, operação que acabou sendo rejeitada pelo Banco Central em setembro. Posteriormente, investigações conduzidas pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal apontaram indícios de que o banco comandado por Daniel Vorcaro teria vendido ao BRB cerca de R$ 12,2 bilhões em carteiras de crédito inexistentes, além de apresentar documentação considerada irregular para respaldar a transação.
Em nota divulgada nesta terça-feira, o BRB afirmou que a apuração de eventuais prejuízos relacionados à operação segue em andamento, tanto no âmbito do Banco Central quanto por meio de auditoria independente conduzida pelo escritório Machado e Meyer, com suporte técnico da consultoria Kroll. Segundo a instituição, apenas após a conclusão dessas análises será possível dimensionar o impacto financeiro efetivo.
O banco informou ainda que, caso sejam confirmadas perdas relevantes, já existe um plano de capital estruturado para recomposição patrimonial. Entre as alternativas previstas está um aporte direto do controlador, possibilidade que, segundo o BRB, já foi sinalizada pelo governo do Distrito Federal, além de outros instrumentos financeiros que poderiam ser utilizados para reforçar o capital da instituição.
Em acareação realizada no Supremo Tribunal Federal, o ex-presidente do BRB declarou que o banco público não conseguiu recuperar aproximadamente R$ 2 bilhões aplicados na operação com o Banco Master. De acordo com o relato, esses valores estavam vinculados à aquisição das carteiras de crédito consignado, cujo processo teria sido interrompido após a decretação da liquidação extrajudicial do Master pelo Banco Central.
O Banco de Brasília figura entre os credores da massa em liquidação do Banco Master. A instituição afirmou que, após o episódio, promoveu aprimoramentos em seus controles internos e nos procedimentos de gestão de riscos relacionados a operações de crédito e investimentos.










