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BTG rebaixa recomendação para Petrobras e vê flexibilidade financeira limitada

Banco vê valuation justo e risco de desalinhamento entre dividendos e geração de caixa

O BTG Pactual rebaixou a recomendação da Petrobras para neutra e estabeleceu preço-alvo de US$ 15 para as ADRs da companhia, o que representa um potencial de valorização de 19%. Em dezembro, o banco mantinha recomendação de compra para o papel.

Segundo relatório assinado por Rodrigo Almeida e Gustavo Cunha, a decisão reflete uma combinação de baixa visibilidade macroeconômica e política, flexibilidade financeira mais restrita e um valuation considerado justo nos níveis atuais. Para os analistas, apesar da proximidade do calendário eleitoral, uma eventual mudança no ciclo político não deve provocar uma inflexão relevante na estratégia da estatal.

O banco aponta uma discrepância entre a política de dividendos e a geração efetiva de caixa da companhia. De acordo com o relatório, esse desalinhamento tende a resultar em aumento da alavancagem ao longo de 2026 e 2027, caso o cenário de preços do petróleo permaneça próximo das projeções atuais.

Do ponto de vista operacional, o BTG destaca que a execução segue sólida. A produção da Petrobras é projetada para alcançar cerca de 2,7 milhões de barris por dia até 2028, impulsionada pela entrada de novos FPSOs, especialmente em projetos do pré-sal.

Os analistas avaliam que a estatal opera sob uma estratégia de longo prazo considerada crível e alinhada aos interesses dos acionistas minoritários. A pressão atual sobre o caixa, segundo o banco, decorre principalmente de um ciclo intensivo de investimentos no offshore, e não de uma deterioração da estratégia corporativa.

Com o preço do petróleo Brent estimado em US$ 62 por barril em 2026, o BTG projeta um fluxo de caixa livre ao acionista (FCFE) de aproximadamente US$ 6,5 bilhões, volume inferior aos dividendos estimados em US$ 7,6 bilhões para o período. Para atingir neutralidade de fluxo de caixa, o banco calcula que o Brent precisaria se situar em torno de US$ 67,5 por barril.

Uma vez concluído o ciclo mais pesado de investimentos em Búzios entre 2026 e 2027, o BTG espera que a política de dividendos da Petrobras se realinhe de forma gradual ao FCFE. Nesse cenário, a companhia poderia iniciar um novo ciclo de desalavancagem a partir de 2028, mesmo sem depender de melhorias significativas no ambiente macroeconômico.

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