O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou nesta sexta-feira que poderá impor tarifas comerciais a países que não apoiarem seu plano para que os EUA passem a controlar a Groenlândia. Segundo Trump, a medida estaria ligada a interesses de segurança nacional.
A declaração foi feita durante um evento na Casa Branca voltado à área de saúde. De acordo com o presidente, a Groenlândia seria necessária para os objetivos estratégicos americanos, o que justificaria a adoção de sanções comerciais contra países que se oponham à iniciativa.
A ameaça segue a mesma linha de movimentos recentes do governo americano. Na semana anterior, Trump havia indicado a possibilidade de impor tarifas de 25% a países que mantivessem negócios com o Irã, como resposta às ações do governo iraniano diante de protestos internos.
Na quarta-feira, o primeiro encontro de alto nível entre delegações dos Estados Unidos e da Dinamarca para tratar da campanha americana em relação à Groenlândia terminou sem avanço concreto. O chanceler dinamarquês, Lars Lokke Rasmussen, e a chanceler groenlandesa, Vivian Motzfeldt, rejeitaram qualquer hipótese de venda do território ou de transferência de soberania, inclusive em cenários de pressão militar.
Após a reunião, Rasmussen afirmou que a posição americana permaneceu inalterada. Segundo ele, apesar de o diálogo ter sido direto, não houve convergência entre as partes. Autoridades dinamarquesas também destacaram que a continuidade das conversas busca apenas discutir mecanismos de segurança regional, sem qualquer mudança no status político da ilha.
Trump tem reiterado publicamente que considera a Groenlândia estratégica por sua localização próxima a rotas marítimas cada vez mais relevantes no Ártico, além de sua posição no trajeto potencial de mísseis lançados a partir da Rússia ou da China. O presidente também cita o potencial mineral da região, incluindo reservas de terras raras, como fator de interesse.
Em publicações na rede Truth Social, Trump voltou a criticar a OTAN e afirmou que a Groenlândia seria essencial para um futuro sistema de defesa antimísseis, chamado por ele de “Domo Dourado”. Os Estados Unidos já mantêm uma base de monitoramento de mísseis no território.
Nesta sexta-feira, o chefe do Comando Conjunto do Ártico da Dinamarca, major Soren Andersen, afirmou que não há presença de embarcações russas ou chinesas nas proximidades da Groenlândia. Segundo ele, embora existam navios desses países no oceano Ártico, não há registros de atividade próxima à ilha.
Autoridades europeias reforçaram que um grupo de trabalho seguirá discutindo temas relacionados à segurança regional, mas ressaltaram que o objetivo é afastar a narrativa americana sobre uma suposta ameaça sino-russa à Groenlândia. Rasmussen afirmou ainda que o ambiente de negociações tem sido dificultado pela frequência de declarações e ameaças públicas feitas pelo presidente dos Estados Unidos.
Além da relevância estratégica e econômica, analistas apontam que a eventual incorporação da Groenlândia permitiria aos Estados Unidos ampliar significativamente sua extensão territorial, já que a ilha é o maior território não continental do mundo.










