(Por Letícia Bogéa – Analista de Economia do Boletim Nacional)
A liquidação do Banco Master – que ocorreu em novembro de 2025 – é um alerta ao comportamento do investidor (ou pelo menos deveria servir de alerta). Todo mundo na vida aprende e evolui com os erros; no campo dos investimentos não pode ser diferente. Se foi por meio de um assessor que queria tirar vantagens, se foi por impulso do próprio investidor ou se foi por taxas muito tentadoras… pouco importa. O que importa é agora você pegar esse acontecimento e fazer diferente quando for comprar novos ativos.
É claro que até um investidor muito experiente não vai sempre acertar (isso não existe). Mas ele tem mais clareza e respeito ao seu dinheiro, e não vai agir no impulso (emoção e investimento é um casamento que não dá certo. Quem investe já ouviu essa frase).
Quando alguém aceita uma taxa muito acima da média sem saber quem está por trás do papel (sem saber se o banco é confiável), não está investindo, está terceirizando a própria responsabilidade. Uns colocam a culpa na corretora de investimento; outros no assessor, mas, na verdade, a culpa é do investidor, que aceitou investir naquele banco só porque pagava taxa alta, sem sequer conhecer a credibilidade. O caso do Banco Master deixa essa lição.
Não importa se o produto aparece em uma grande corretora: a decisão final sempre é de quem compra. Plataforma não substitui análise, e taxa alta não compensa desconhecimento. Renda fixa existe para trazer segurança. Um CDB pagando 130% ou 140% do CDI raramente é “oportunidade”; na maioria das vezes, é um pedido de socorro do emissor. Bancos sólidos não precisam seduzir investidores com promessas exageradas.
Quem corre risco geralmente é um investidor de perfil mais arrojado (ou pelo menos moderado) e ele sabe que vai encontrar isso na renda variável, não na renda fixa. É na renda variável que estão os retornos acima da média, mas também a volatilidade, as perdas temporárias e a necessidade de estudo e estratégia. Não faz sentido buscar risco na renda fixa quando o mercado já oferece instrumentos feitos exatamente para quem aceita oscilações em troca de potencial de ganho.
Para quem investiu no Banco Master ou em instituições sem credibilidade e hoje está frustrado, a pior decisão é desistir de investir. Errar faz parte do processo. O erro só vira prejuízo permanente quando não gera aprendizado. O caminho agora não é abandonar o mercado, mas entender o papel de cada ativo e investir de forma mais consciente.
A pressa por retorno alto é um dos erros mais comuns de quem está começando a investir. O mercado não recompensa ansiedade. Investir não é aposta, nem brincadeira. Investir é disciplina, paciência e constância. O resultado chega para quem passa pelo processo.









