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Fundo ligado à Reag aportou R$ 159 milhões em estrutura acionária do BRB

Operação antecedeu tentativa de aquisição do Banco Master pelo BRB

Um fundo de investimento administrado pela Reag, gestora alvo da Operação Carbono Oculto, realizou um aporte de R$ 159 milhões em outro fundo que financiou a expansão de capital do BRB e se tornou um dos principais acionistas privados da instituição financeira controlada pelo governo do Distrito Federal.

O investimento foi feito pelo fundo Olaf 95, que, em abril de 2025, passou a ser o único cotista do fundo Borneo, também administrado pela Reag. O Borneo detém 7,89% das ações preferenciais do BRB, sem direito a voto, figurando entre os maiores acionistas privados do banco, cujos papéis são negociados em Bolsa.

Autoridades investigam se a movimentação teve como finalidade inflar o capital do BRB para viabilizar a tentativa de aquisição do Banco Master, operação posteriormente rejeitada pelo Banco Central, ou se o objetivo era ampliar a capacidade do banco para adquirir ativos, como carteiras de crédito.

Um mês antes do aporte no Borneo, o fundo Olaf 95 mantinha integralmente sua carteira aplicada em cotas do fundo Hans 95, que também entrou no radar da investigação que apura supostas conexões do Primeiro Comando da Capital com o sistema financeiro.

O endereço ligado ao Olaf 95 foi alvo de mandado de busca e apreensão cumprido pela Polícia Federal em agosto do ano passado. Segundo investigadores, o fundo integraria uma rede financeira utilizada para movimentar recursos oriundos de atividades criminosas, incluindo valores provenientes de empresas usadas para lavagem de dinheiro.

Criado em 2018, o Olaf 95 chegou a registrar patrimônio estimado em cerca de R$ 30 bilhões. As investigações indicam que estruturas desse tipo teriam sido utilizadas para dar aparência de legalidade a recursos circulados por meio do mercado financeiro, após passagem por setores da economia real, como o de combustíveis.

O aporte do Borneo contribuiu para reforçar o capital do BRB antes do anúncio, em março de 2025, da tentativa de aquisição do Banco Master. O nível de capitalização é um dos critérios avaliados pelo Banco Central na análise de operações de compra e incorporação de instituições financeiras, por refletir a capacidade de absorção de riscos.

Em 2024, o BRB realizou duas rodadas de aumento de capital. Na primeira, em julho, o capital social subiu de R$ 1,3 bilhão para R$ 1,594 bilhão, com o fundo Borneo absorvendo sozinho 44% da operação. Na segunda rodada, concluída em dezembro, outro fundo, o Deneb, sob gestão do próprio Banco Master, adquiriu 6,12% das ações preferenciais do banco público.

Paralelamente, BRB e Master ampliaram relações comerciais por meio da venda de carteiras de crédito no valor de R$ 12,2 bilhões. Ao analisar essas operações, o Banco Central identificou indícios de inconsistências e determinou a reversão da transação, exigindo a reposição do balanço do BRB com outros ativos.

Diante das irregularidades, o Banco Central conduz auditoria para avaliar a qualidade e o valor dos ativos apresentados em substituição. Parte desses ativos não possui negociação em Bolsa, o que aumenta a complexidade da análise e o grau de incerteza sobre sua solidez.

O BRB informou que todas as operações relacionadas ao caso estão incluídas em uma investigação forense independente conduzida pelo escritório Machado Meyer, com suporte técnico da Kroll. O banco afirmou colaborar com as autoridades e manter compromisso com governança e transparência.

A defesa de Daniel Vorcaro declarou que o Banco Master não foi gestor nem cotista dos fundos mencionados e não participou de suas decisões de investimento. Afirmou ainda que a tentativa de aquisição pelo BRB foi conduzida de forma transparente e não prosperou por decisão do regulador.

Sem a concretização da operação e enfrentando grave crise de liquidez, o Banco Master teve sua liquidação decretada pelo Banco Central em novembro do ano passado. O caso passou a ser investigado pela Polícia Federal e pelo Ministério Público Federal. A Reag também teve sua liquidação extrajudicial decretada posteriormente pelo Banco Central.

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