As instituições financeiras brasileiras passaram a discutir uma alternativa para recompor a liquidez do Fundo Garantidor de Créditos após os desembolsos relacionados à liquidação do Banco Master e do Will Bank. A proposta apresentada ao Banco Central prevê o uso de recursos dos depósitos compulsórios mantidos pelas próprias instituições junto à autoridade monetária, como forma de reforçar o caixa do fundo sem a necessidade de medidas mais onerosas no curto prazo.
O impacto financeiro do episódio envolvendo o conglomerado Master é estimado em cerca de R$ 55 bilhões, valor que inclui o pagamento de garantias a investidores e operações de assistência realizadas ao longo de 2025. Esse montante corresponde a aproximadamente 45% da liquidez imediata do FGC, atualmente em torno de R$ 122 bilhões, segundo informações confirmadas por fontes do mercado.
Os depósitos compulsórios representam uma parcela dos recursos captados pelos bancos que deve permanecer depositada no Banco Central. Esse instrumento é tradicionalmente utilizado como mecanismo de estabilidade do sistema financeiro e já foi acionado em momentos de crise, como em 2008. Hoje, o volume total desses recursos gira em torno de R$ 800 bilhões, o que, segundo interlocutores, reduz o risco de impactos macroeconômicos decorrentes da eventual utilização parcial dessa fonte.
Na prática, a iniciativa busca evitar que o FGC seja obrigado a antecipar até cinco anos de contribuições de seus cerca de 250 bancos associados para recompor o patrimônio após os pagamentos relacionados ao Master. O plano originalmente debatido previa tanto a antecipação de contribuições futuras quanto a cobrança de uma contribuição extraordinária mensal por parte das instituições participantes.
As duas alternativas estão previstas nas regras do fundo. O estatuto do FGC permite a antecipação de 12 a 60 contribuições mensais sempre que houver necessidade de reforço de receitas para o cumprimento de suas obrigações. A avaliação entre os bancos é que o impacto dessas cobranças adicionais sobre os balanços das instituições seria limitado, com possibilidade de repasse parcial dos custos aos clientes.
Do ponto de vista do fundo, entretanto, a origem dos recursos teria efeito neutro, já que o objetivo central é recompor a liquidez após os desembolsos extraordinários. A decisão final sobre a adoção dos compulsórios como instrumento para esse reforço ainda depende de negociação com o Banco Central e de alinhamento entre as instituições financeiras envolvidas.









