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Mansueto vê espaço para corte da Selic em março, mas alerta que juros seguirão altos sem ajuste fiscal

Economista-chefe do BTG afirma que BC pode iniciar cortes em março, mas diz que ausência de um plano fiscal crível manterá juros reais elevados no Brasil

O economista-chefe do BTG Pactual e ex-secretário do Tesouro Nacional, Mansueto Almeida, afirmou que há espaço técnico para o início do ciclo de cortes da Selic a partir de março, mas alertou que, sem um plano fiscal crível, o Brasil continuará convivendo com juros reais elevados. Em evento realizado na B3, ele avaliou que o Banco Central poderia ter iniciado o afrouxamento já na última reunião, mas optou por adiar diante de uma comunicação mais cautelosa e da ausência de sinalização clara ao mercado.

Segundo Mansueto, mesmo com cortes à frente, a taxa básica seguirá em patamar elevado ao longo de 2026. Em um cenário otimista, a Selic poderia encerrar o ano em torno de 12%, o que, com inflação projetada em 4%, implicaria juro real próximo de 8%. Para ele, o principal entrave à queda estrutural dos juros não está na política monetária, mas na trajetória fiscal, refletida no nível elevado dos juros de longo prazo, que hoje giram em torno de 7,5% ao ano.

O economista ressaltou que não há país que consiga estabilizar a dívida pública com juros reais tão altos e afirmou que o próximo governo precisará enfrentar o desafio fiscal. Embora reconheça avanços recentes no resultado primário, Mansueto observou que a melhora veio sobretudo do aumento da arrecadação, enquanto as despesas seguem crescendo de forma acelerada, em um ritmo incompatível com uma economia próxima do pleno emprego.

Ao comparar o cenário atual com a crise de 2015 e 2016, ele destacou que o Brasil hoje não enfrenta recessão nem desequilíbrios setoriais relevantes, mas sim um problema fiscal persistente. Mansueto defendeu a revisão de mecanismos de indexação automática de gastos e afirmou que um plano crível de controle das despesas pode antecipar a queda dos juros, mesmo que a dívida continue crescendo no curto prazo. Segundo ele, se houver sinalização clara de ajuste a partir de 2027, o mercado tende a reagir antes, abrindo espaço para uma redução mais consistente das taxas.  (Com MoneyTimes)

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