O fundo imobiliário TG Ativo Real (TGAR11) registrou uma sequência de perdas relevantes nesta semana após a divulgação de uma revisão para baixo nas projeções de rendimentos. Em um intervalo de três pregões, as cotas acumularam queda superior a 14%, movimento que ocorreu depois de a administração indicar uma nova faixa de distribuição mensal mais conservadora.
A atualização do guidance passou a prever rendimentos entre R$ 0,70 e R$ 1,00 por cota, refletindo, segundo análise do BB Investimentos, os efeitos prolongados da taxa Selic em patamar restritivo. De acordo com o analista André Oliveira, o ambiente de juros elevados tem afetado diretamente o ritmo de vendas das incorporações imobiliárias, reduzindo a geração de receitas do fundo, apesar do elevado grau de diversificação do portfólio.
Na avaliação da instituição, esse movimento ganhou força no encerramento de 2025, período marcado por maior demora na liberação de recursos provenientes de financiamentos imobiliários e pelo adiamento de pagamentos relacionados a projetos de loteamentos específicos. Esses fatores pressionaram o fluxo de caixa e levaram a gestão a adotar premissas mais prudentes no relatório gerencial mais recente.
O TGAR11 possui patrimônio líquido superior a R$ 2,5 bilhões, distribuído em 177 ativos, dos quais 141 são projetos imobiliários estruturados na modalidade equity. Segundo o BB Investimentos, esse conjunto responde por cerca de 83% do patrimônio do fundo e por aproximadamente 85% da receita, o que torna seu desempenho altamente sensível a variáveis macroeconômicas como renda, emprego e nível de juros.
Apesar do cenário mais desafiador, o banco destaca que mais de 72% dos projetos imobiliários do portfólio apresentam estágio avançado de obras, com execução acima de 80%, o que reduz riscos operacionais. Ainda assim, o desempenho financeiro segue condicionado ao ritmo de comercialização das unidades.
A equipe da gestora, conforme relatado pelo BB, tem intensificado ações de marketing digital e reforçado o time de vendas enquanto as condições financeiras permanecem restritivas, buscando mitigar os impactos da desaceleração observada no mercado imobiliário. O relatório ressalta que oscilações no ritmo de vendas são comuns em projetos de incorporação, sobretudo em empreendimentos fora de programas habitacionais subsidiados.
O novo guidance divulgado para o primeiro semestre de 2026 implica um rendimento anualizado estimado entre 10,5% e 15%, considerando os preços atuais de mercado. Mesmo após a revisão, o BB Investimentos avalia que o retorno projetado segue compatível com o perfil de risco do fundo, especialmente diante da expectativa de início de um ciclo de redução de juros ao longo de 2026.










