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Azul fecha captação de US$ 1,375 bilhão para refinanciar crédito emergencial

Recursos serão usados para quitar financiamento DIP e apoiar a reestruturação da companhia

A Azul concluiu a precificação de uma operação privada de financiamento no valor de US$ 1,375 bilhão, estruturada como dívida sênior com garantia prioritária. Os títulos terão vencimento em 2031 e carregam uma taxa de juros de 9,875% ao ano, segundo informações divulgadas pela companhia.

Os recursos captados serão direcionados, em primeiro lugar, para a quitação do financiamento emergencial obtido durante o processo de recuperação judicial nos Estados Unidos, conhecido como DIP financing. Caso haja excedente, o montante também será utilizado para apoiar a execução do plano de reestruturação aprovado no âmbito do Chapter 11.

A transação foi estruturada no formato de exit financing, mecanismo comum em processos de reorganização, no qual a nova dívida substitui o crédito temporário utilizado durante a recuperação. A demanda pelos papéis superou significativamente a oferta inicial, alcançando um volume estimado em cerca de 7,5 vezes o valor colocado no mercado. A conclusão da emissão está prevista para o dia 6 de fevereiro de 2026, condicionada ao cumprimento das etapas usuais de fechamento.

As garantias associadas à operação incluem ativos da própria Azul e de diversas subsidiárias do grupo. Entre eles estão recebíveis do programa de fidelidade TudoAzul, receitas das operações da Azul Viagens e da Azul Cargo, além de marcas, domínios e participações societárias de unidades controladas pela companhia. Por se tratar de uma oferta privada, a emissão não foi registrada na CVM, na SEC ou em outros órgãos reguladores, e os títulos não serão distribuídos ao público no Brasil.

Do ponto de vista financeiro, a operação permite à Azul aliviar a pressão de curto prazo sobre o caixa ao substituir um crédito emergencial por uma dívida de prazo mais longo. Em contrapartida, o custo da captação reflete um nível elevado de juros, o que tende a aumentar o serviço da dívida nos próximos anos e exigir disciplina financeira durante a fase de consolidação da reestruturação.

A companhia destaca que segue operando normalmente enquanto avança no cumprimento do plano aprovado nos Estados Unidos. A Azul mantém atualmente a maior malha aérea doméstica do país em número de voos e destinos, com cerca de 800 voos diários, uma frota superior a 200 aeronaves e presença em mais de 137 localidades.

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