O que é CDB
O CDB, sigla para Certificado de Depósito Bancário, é um dos investimentos de renda fixa mais populares do Brasil. Ao comprar um CDB, você está emprestando dinheiro a um banco — e o banco se compromete a devolver esse valor acrescido de juros após um prazo determinado. É, em essência, o contrário do que acontece quando você pega um financiamento: nesse caso, é o banco que te empresta dinheiro. No CDB, você é o credor.
Por ser um produto simples, acessível e com cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC) para valores até R$ 250 mil por instituição, o CDB é considerado um dos investimentos mais seguros disponíveis no mercado financeiro brasileiro.
💡 Definição resumida: CDB = você empresta dinheiro ao banco. O banco paga juros por esse empréstimo. Você recebe seu dinheiro de volta com rendimento ao final do prazo — ou quando resgatar, se o CDB tiver liquidez diária.
Como o CDB funciona na prática
Quando um banco precisa captar recursos para financiar suas operações de crédito — empréstimos, financiamentos, cartões — ele pode emitir CDBs para captar dinheiro diretamente de investidores. Esse processo é regulamentado pelo Banco Central e pela CVM.
O funcionamento é direto: você aplica um valor em um CDB com prazo e taxa definidos. Ao final do prazo — ou na data de resgate, no caso de CDBs com liquidez diária — recebe de volta o valor investido mais os juros acordados. O rendimento é creditado automaticamente, sem necessidade de nenhuma ação adicional.
Quem pode emitir CDB?
Apenas instituições financeiras autorizadas pelo Banco Central podem emitir CDBs: bancos comerciais, bancos de investimento, bancos múltiplos e algumas financeiras. Isso inclui desde grandes bancos como Itaú, Bradesco e Banco do Brasil até bancos menores e fintechs como Inter, C6 e Nubank.
Uma característica importante: bancos menores costumam oferecer CDBs com rentabilidade mais alta do que os grandes bancos, pois precisam atrair investidores com taxas mais competitivas. O risco, no entanto, também pode ser ligeiramente maior — daí a importância de verificar a cobertura do FGC.
Tipos de CDB: prefixado, pós-fixado e híbrido
Existem três modalidades principais de CDB, que se diferenciam pela forma como a taxa de rendimento é definida. Conhecer cada uma é fundamental para escolher o produto mais adequado ao seu objetivo.
CDB Prefixado
No CDB prefixado, a taxa de juros é definida no momento da contratação e não muda até o vencimento. Se você contrata um CDB prefixado a 14% ao ano, receberá exatamente 14% ao ano — independentemente do que aconteça com a Selic ou a inflação durante o período.
Quando vale a pena: quando você acredita que as taxas de juros vão cair. Se a Selic baixar depois que você contratou o CDB prefixado, seu rendimento continuará o mesmo, enquanto novas aplicações renderão menos.
CDB Pós-fixado
No CDB pós-fixado, o rendimento acompanha um indexador — na grande maioria dos casos, o CDI (Certificado de Depósito Interbancário). A taxa é expressa como um percentual do CDI, como “110% do CDI” ou “115% do CDI”.
Como o CDI acompanha de perto a taxa Selic, o CDB pós-fixado tende a render mais quando os juros estão altos e menos quando os juros caem. É o tipo mais comum no mercado.
Quando vale a pena: em cenários de juros altos ou quando você não quer correr o risco de travar uma taxa. Também é ideal para a reserva de emergência, desde que tenha liquidez diária.
CDB Híbrido (IPCA+)
O CDB híbrido combina um componente fixo com a variação de um índice — geralmente o IPCA (inflação oficial). Por exemplo: IPCA + 7% ao ano significa que você receberá a inflação do período mais 7 pontos percentuais de juros reais.
Quando vale a pena: quando o objetivo é preservar o poder de compra ao longo do tempo. É especialmente interessante para investimentos de médio e longo prazo, como aposentadoria ou objetivos de 5 a 10 anos.
| Tipo | Como rende | Melhor cenário | Prazo típico |
|---|---|---|---|
| Prefixado | Taxa fixa (ex: 14% a.a.) | Juros em queda | 1 a 3 anos |
| Pós-fixado | % do CDI (ex: 110% CDI) | Juros em alta | Diário a 2 anos |
| Híbrido | IPCA + taxa (ex: IPCA+7%) | Proteção da inflação | 3 a 10 anos |
Como o CDB rende: CDI, % do CDI e cálculo prático
O que é o CDI?
O CDI (Certificado de Depósito Interbancário) é a taxa que os bancos cobram entre si em empréstimos de curtíssimo prazo. Na prática, o CDI anda muito próximo da taxa Selic — com diferença geralmente inferior a 0,1 ponto percentual. Com a Selic atualmente em 15% ao ano, o CDI também gira em torno de 14,9% ao ano.
Quando um CDB oferece “100% do CDI”, significa que ele rende o equivalente à taxa CDI. Um CDB com “115% do CDI” rende 15% a mais que o CDI — ou seja, uma taxa mais atrativa.
O que significa % do CDI?
| % do CDI | Rendimento bruto (Selic a 15%) | O que representa |
|---|---|---|
| 80% do CDI | ~11,9% ao ano | Típico em grandes bancos |
| 100% do CDI | ~14,9% ao ano | Referência de mercado |
| 110% do CDI | ~16,4% ao ano | Bom retorno em banco médio |
| 120% do CDI | ~17,9% ao ano | Excelente — verifique o FGC |
| 130% do CDI | ~19,4% ao ano | Muito acima da média — atenção ao risco |
Valores aproximados com CDI próximo a 14,9% ao ano. Verifique sempre a rentabilidade líquida após IR.
Quanto rende R$ 10.000 no CDB
A tabela abaixo simula o rendimento de R$ 10.000 em diferentes CDBs, considerando CDI de 14,9% ao ano e descontando o Imposto de Renda conforme a tabela regressiva. Os valores são aproximados e servem como referência para comparação.
| Tipo de CDB | 6 meses | 1 ano | 2 anos | 3 anos | IR aplicado |
|---|---|---|---|---|---|
| 100% CDI | R$ 10.598 | R$ 11.245 | R$ 12.599 | R$ 14.040 | 15% |
| 110% CDI | R$ 10.661 | R$ 11.369 | R$ 12.869 | R$ 14.448 | 15% |
| 120% CDI | R$ 10.723 | R$ 11.494 | R$ 13.142 | R$ 14.860 | 15% |
| Poupança (referência) | R$ 10.353 | R$ 10.718 | R$ 11.474 | R$ 12.277 | Isento |
Simulação com fins educativos. Rentabilidade passada não garante retorno futuro. Valores líquidos de IR para prazos acima de 2 anos (alíquota 15%). Para prazos menores, aplica-se alíquota maior conforme tabela regressiva.
Imposto de Renda e IOF sobre o CDB
O CDB é sujeito tanto ao Imposto de Renda (IR) quanto ao IOF (Imposto sobre Operações Financeiras). Ambos incidem apenas sobre o rendimento, nunca sobre o valor investido.
Tabela regressiva do Imposto de Renda
O IR segue uma tabela regressiva: quanto mais tempo você mantém o investimento, menor a alíquota. Esse mecanismo incentiva aplicações de prazo mais longo.
| Prazo da aplicação | Alíquota de IR sobre o rendimento |
|---|---|
| Até 180 dias (6 meses) | 22,5% |
| De 181 a 360 dias | 20% |
| De 361 a 720 dias (até 2 anos) | 17,5% |
| Acima de 720 dias (mais de 2 anos) | 15% — alíquota mínima |
O IR é descontado automaticamente na fonte no momento do resgate, portanto o valor que entra na sua conta já é líquido de imposto.
IOF nos primeiros 30 dias
Além do IR, existe o IOF caso você resgate o CDB em menos de 30 dias. O IOF começa em 96% do rendimento no primeiro dia e vai caindo progressivamente, chegando a 0% no 30º dia. A partir do 31º dia, nenhum IOF é cobrado.
⚠️ Atenção ao resgate antecipado: CDBs sem liquidez diária cobram IOF se resgatados antes de 30 dias. Mesmo com liquidez diária, o IOF se aplica nos primeiros 30 dias. Para a reserva de emergência, prefira CDBs com liquidez diária e espere ao menos 30 dias antes de resgatar.
FGC: como funciona a garantia do CDB
O Fundo Garantidor de Créditos (FGC) é uma associação privada sem fins lucrativos que protege os depositantes e investidores no caso de uma instituição financeira falir ou sofrer intervenção do Banco Central. Para o investidor, funciona como um seguro sobre seu dinheiro.
Limites de cobertura
| Regra | Valor |
|---|---|
| Garantia por CPF por instituição | R$ 250.000 |
| Garantia total por CPF (todas as instituições) | R$ 1.000.000 |
| Periodicidade da garantia máxima | A cada 4 anos |
| Cobre CDB? | Sim |
| Cobre LCI, LCA e poupança? | Sim |
Na prática, se você tiver R$ 300.000 em um único banco que venha a falir, apenas R$ 250.000 seriam cobertos pelo FGC — os R$ 50.000 restantes ficariam em risco. Por isso, para valores acima desse limite, é recomendável diversificar entre diferentes instituições.
✅ Boa prática: mantenha no máximo R$ 230.000 a R$ 240.000 por instituição, deixando margem para os rendimentos acumulados. Distribua o restante em outros bancos ou no Tesouro Direto, que tem garantia do governo federal e não depende do FGC.
CDB vs Tesouro Direto vs LCI/LCA: comparativo completo
| Critério | CDB | Tesouro Selic | LCI / LCA | Poupança |
|---|---|---|---|---|
| Emissor | Bancos privados | Governo federal | Bancos | Bancos |
| Rentabilidade | 80% a 130%+ CDI | ~100% da Selic | 80% a 100% CDI | ~70% da Selic |
| Imposto de Renda | Sim (15% a 22,5%) | Sim (15% a 22,5%) | Isento para PF | Isento |
| Liquidez | Diária ou no vencimento | Diária (D+1) | Geralmente no prazo | Diária |
| Garantia FGC | Sim (até R$ 250 mil) | Não (garantia federal) | Sim (até R$ 250 mil) | Sim (até R$ 250 mil) |
| Risco | Baixo a médio | Muito baixo | Baixo a médio | Muito baixo |
| Acessibilidade | A partir de R$ 1 | A partir de R$ 30 | Varia por banco | Qualquer valor |
Qual escolher?
Não existe resposta única. A escolha depende do seu objetivo, prazo e perfil de risco:
- Para a reserva de emergência: CDB com liquidez diária de 100% do CDI ou mais, ou Tesouro Selic. Priorize a disponibilidade imediata.
- Para investir por 1 a 2 anos: CDB de 110% a 120% do CDI em bancos com FGC. LCI/LCA isenta de IR pode ser equivalente ou melhor, dependendo do percentual oferecido.
- Para objetivos de longo prazo: CDB híbrido (IPCA+) ou Tesouro IPCA+ para proteger o poder de compra real.
- Para quem não quer complicar: Tesouro Selic. Baixo risco, garantia do governo e rentabilidade consistente.
Quando vale a pena investir em CDB
O CDB é especialmente interessante nos seguintes cenários:
- Quando a Selic (e consequentemente o CDI) está alta — como em 2026, com a taxa em 15% ao ano. Quanto mais altos os juros básicos, mais atrativo fica o CDB pós-fixado.
- Quando você encontra CDBs acima de 110% do CDI em instituições com FGC ativo — nesses casos, o retorno tende a superar facilmente a poupança e muitos outros produtos isentos.
- Quando você tem um prazo definido de investimento e não precisará do dinheiro antes do vencimento. CDBs com prazo fixo costumam oferecer taxas maiores que CDBs com liquidez diária.
- Quando busca diversificação fora do Tesouro Direto, mantendo segurança similar graças ao FGC.
Por outro lado, o CDB pode não ser a melhor opção quando você precisa do dinheiro a qualquer momento (prefira liquidez diária), quando as taxas oferecidas são inferiores a 100% do CDI (o Tesouro Selic pode ser mais eficiente), ou quando você tem acesso a boas LCIs ou LCAs isentas de IR.
Como escolher um bom CDB
Com tantas opções disponíveis em bancos digitais e plataformas de investimento, selecionar o CDB certo envolve avaliar alguns critérios objetivos.
1. Rentabilidade líquida, não bruta
Sempre compare a rentabilidade líquida — já descontado o IR. Um CDB de 120% do CDI com prazo de 6 meses paga 22,5% de IR sobre o rendimento. Já um CDB de 110% do CDI resgatado em 2 anos paga apenas 15%. Dependendo do prazo, a taxa menor pode render mais no final.
2. Prazo x liquidez
CDBs com liquidez diária costumam oferecer taxas menores que CDBs com prazo fixo. Se você não precisará do dinheiro antes do vencimento, faz sentido travar uma taxa maior. Se o dinheiro pode ser necessário a qualquer momento, prefira liquidez diária — mesmo com taxa menor.
3. Solidez da instituição emissora
O FGC garante até R$ 250 mil por CPF por instituição, mas o processo de receber essa garantia em caso de falência pode demorar. Verifique o rating de crédito do banco emissor em agências como Fitch, Moody’s ou S&P antes de investir em bancos menores, especialmente para valores expressivos.
4. Onde encontrar CDBs
- Plataformas de investimento independentes: XP, BTG, Nubank, Rico, Clear
- Bancos digitais: Inter, C6, Sofisa, PagBank
- Bancos tradicionais: Itaú, Bradesco, Caixa — geralmente com taxas menores
- Assessores de investimento certificados (CFP ou CEA)
Perguntas frequentes sobre CDB
CDB é seguro? Sim. O CDB conta com a cobertura do FGC para valores de até R$ 250 mil por CPF por instituição. Mesmo que o banco emissor declare falência, você receberá de volta o valor investido mais os rendimentos até esse limite. Para valores maiores, distribua entre diferentes instituições.
Qual a diferença entre CDB e poupança? A poupança rende cerca de 70% da Selic quando a taxa está acima de 8,5% ao ano — atualmente em torno de 10,5% bruto ao ano. Um CDB de 100% do CDI rende aproximadamente 14,9% ao ano bruto. Após o IR, o CDB resgatado em 2 anos ou mais ainda rende significativamente mais que a poupança na maioria dos cenários.
Posso perder dinheiro no CDB? No CDB convencional de renda fixa, não há risco de rendimento negativo. O pior cenário é resgatar antes dos 30 dias e pagar IOF, ou resgatar antes do prazo em um CDB sem liquidez diária. O único risco relevante é a falência do banco emissor — mitigado pelo FGC até R$ 250 mil.
CDB tem come-cotas como os fundos? Não. O CDB não tem come-cotas — o mecanismo semestral de antecipação de IR que existe em fundos de investimento. O IR do CDB só é cobrado no momento do resgate, o que favorece o efeito dos juros compostos ao longo do tempo.
É melhor CDB ou LCI/LCA? Depende do percentual oferecido e do prazo. Como LCI e LCA são isentas de IR para pessoa física, uma LCI de 90% do CDI pode ser equivalente a um CDB de 105% do CDI resgatado em 2 anos. Para comparar corretamente, calcule a rentabilidade líquida de IR nos dois casos.
Qual o valor mínimo para investir em CDB? Varia conforme a plataforma e o produto. Em bancos digitais e plataformas como XP, Rico e BTG, é possível encontrar CDBs a partir de R$ 1. Bancos tradicionais costumam exigir valores mínimos maiores, de R$ 1.000 a R$ 5.000.
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Boletim Nacional • Atualizado em fevereiro de 2026 Este conteúdo tem caráter informativo e educativo. Não constitui recomendação de investimento. Consulte um assessor certificado antes de tomar decisões financeiras.








