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Focus reduz Selic de 2026 para 12,13% ao ano

Projeções indicam Selic em 12,13% em 2026 e IPCA em 3,91%; BC prevê 3,4% e dólar esperado cai para R$ 5,45

As projeções do Boletim Focus para juros e inflação voltaram a registrar ajustes no mais recente relatório divulgado pelo Banco Central do Brasil. A mediana das estimativas para a taxa Selic ao fim de 2026 recuou de 12,25% para 12,13% ao ano, após oito semanas de estabilidade. Considerando apenas as 92 projeções atualizadas nos últimos cinco dias úteis, a taxa projetada permaneceu em 12%.

Para 2027, a expectativa seguiu em 10,50% pela 54ª semana consecutiva. No recorte das 87 estimativas mais recentes, a mediana também ficou em 10,50%. As projeções para 2028 e 2029 permaneceram em 10% e 9,50%, respectivamente, mantendo a sinalização de trajetória de juros em desaceleração gradual no horizonte de médio prazo.

A taxa básica está atualmente em 15% ao ano, patamar mantido pelo Comitê de Política Monetária em janeiro pela quinta reunião seguida. Na ata, o colegiado indicou que poderá iniciar a flexibilização monetária na reunião de março, caso o cenário esperado se confirme, preservando o compromisso com a convergência da inflação à meta.

No campo inflacionário, a mediana para o IPCA de 2026 recuou de 3,95% para 3,91%, ficando 0,59 ponto porcentual abaixo do teto da meta, fixado em 4,50%. Há um mês, a estimativa era de 4,00%. Entre as 113 projeções mais recentes, a mediana caiu para 3,88%. Para 2027, a projeção foi mantida em 3,80% pela 16ª semana consecutiva.

O IPCA encerrou 2025 com alta acumulada de 4,26%, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística. O resultado ficou abaixo da mediana do Focus ao fim do ano, que era de 4,31%, e da estimativa do Banco Central, de 4,4%. Para 2026, a autoridade monetária projeta inflação de 3,4%, com expectativa de 3,2% no horizonte relevante, atualmente situado no terceiro trimestre de 2027.

Desde 2025, a meta de inflação passou a ser contínua, calculada com base no IPCA acumulado em 12 meses. O centro é de 3%, com intervalo de tolerância de 1,5 ponto porcentual para cima ou para baixo. Caso a inflação permaneça fora dessa faixa por seis meses consecutivos, considera-se descumprimento do objetivo.

As projeções para o crescimento econômico também foram atualizadas. A mediana para o Produto Interno Bruto (PIB) de 2026 avançou de 1,80% para 1,82%, após 10 semanas sem alteração. Entre as 78 estimativas mais recentes, a taxa convergiu para 1,82%. Para 2027, a expectativa seguiu em 1,80%, enquanto para 2028 e 2029 permaneceu em 2,00%.

No Relatório de Política Monetária do quarto trimestre, o Banco Central elevou sua estimativa de expansão da economia neste ano de 2% para 2,3%, refletindo revisões nas Contas Nacionais Trimestrais e desempenho mais favorável da agropecuária e do terceiro trimestre.

No mercado de câmbio, a mediana para o dólar ao fim de 2026 recuou de R$ 5,50 para R$ 5,45, após 18 semanas estável. Para 2027 e 2028, a projeção ficou em R$ 5,50. Em 2029, a estimativa passou de R$ 5,51 para R$ 5,52. A moeda norte-americana encerrou 2025 cotada a R$ 5,4840, com recuo acumulado de 11,18% frente ao real.

A taxa de câmbio projetada no Focus corresponde à média esperada para dezembro de cada ano, metodologia adotada desde 2021. O conjunto das estimativas reflete as expectativas do mercado para juros, inflação, crescimento e câmbio, variáveis que orientam decisões de investimento e política econômica nos próximos anos.

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