Os Certificados de Depósito Bancário (CDBs) consolidaram-se como principal instrumento de renda fixa nas carteiras dos brasileiros em 2025. De acordo com a Anbima, o estoque aplicado em CDBs atingiu R$ 1,33 trilhão ao fim do ano, avanço nominal de 27,7% em relação a 2024, equivalente a R$ 288 bilhões adicionais.
Embora ainda abaixo da previdência privada, que concentra R$ 1,55 trilhão, os CDBs lideraram o crescimento entre os principais produtos financeiros. O movimento ocorreu em ambiente de juros elevados, com a taxa básica em 15% ao ano, o que ampliou a atratividade dos títulos bancários frente a alternativas tradicionais como a poupança, cujo saldo recuou 1,1% e encerrou 2025 em R$ 961,4 bilhões.
A distribuição regional indica que os CDBs ocupam a primeira posição nas carteiras de investidores em todas as regiões do país. A maior parte do estoque está concentrada no varejo tradicional, que responde por 47,6% do total aplicado. O segmento de alta renda detém 41,8%, enquanto o private representa 10,6%.
O crescimento também reflete mudanças no perfil de alocação. No segmento private, 68,6% dos investimentos em ações estão concentrados nessa faixa de renda. Em títulos isentos de imposto de renda, como CRAs, CRIs, LCAs, LCIs, LIGs e debêntures incentivadas, a participação é mais distribuída: 43% no private, 31,3% na alta renda e 25,7% no varejo tradicional.
O ticket médio investido ao fim de 2025 evidencia diferenças relevantes entre os segmentos. No private, o valor médio alcança R$ 15,8 milhões; na alta renda, R$ 137,3 mil; e no varejo tradicional, R$ 14,9 mil. Em fundos multimercados e fundos de ações, a concentração do private também é predominante, com participações de 71,3% e 67,8%, respectivamente.
No conjunto do mercado, o volume total investido pelos brasileiros cresceu 15,5% em 2025, acréscimo de R$ 1,15 trilhão. O avanço foi liderado pela alta renda, que ampliou sua alocação em 21,2%. O varejo tradicional cresceu 10,3%, enquanto o private registrou alta de 14,9%.
Além dos CDBs, fundos de renda fixa e títulos isentos também ampliaram participação, com expansão de R$ 223 bilhões e R$ 191 bilhões, respectivamente. Entre os produtos com maior crescimento percentual, destacaram-se os FIDCs, com avanço de 122,8% e volume total de R$ 52 bilhões, seguidos por ETFs, com alta de 47,8%, e títulos públicos, com crescimento de 43,4%.
O cenário evidencia a migração para instrumentos de renda fixa em um ambiente de juros elevados e reforça a segmentação do mercado de capitais brasileiro por faixa de renda e perfil de risco.
Varejo tradicional
| Investimento | Alocação (R$ bi) | % de participação no total |
|---|---|---|
| Poupança | 814,31 | 84,7% |
| CDB | 633,60 | 47,6% |
| Previdência | 418,91 | 27,1% |
| Isentos* | 367,00 | 25,7% |
| Fundo de renda fixa | 233,22 | 23% |
| Ações | 102,53 | 12,7% |
| Títulos públicos | 83,56 | 31,7% |
| Fundos estruturados | 68,90 | 30,5% |
| Fundos multimercados | 48,24 | 9% |
| Fundos de ações | 21,75 | 8,6% |
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025
Varejo alta renda
| Investimento | Alocação (R$ bi) | % de participação no total |
|---|---|---|
| Previdência | 851,74 | 55,1% |
| CDB | 556,40 | 41,8% |
| Fundo de renda fixa | 469,48 | 46,3% |
| Isentos* | 446,96 | 31,3% |
| Ações | 150,97 | 18,7% |
| Poupança | 140,36 | 14,6% |
| Títulos públicos | 124,68 | 47,3% |
| Fundos multimercados | 105,06 | 19,6% |
| Fundos estruturados | 95,33 | 42,2% |
| Fundos de ações | 59,68 | 23,6% |
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025
Private
| Investimento | Alocação (R$ bi) | % de participação no total |
|---|---|---|
| Isentos* | 614,04 | 43% |
| Ações | 553,81 | 68,6% |
| Fundos multimercados | 382,17 | 71,3% |
| Fundo de renda fixa | 311,30 | 30,7% |
| Previdência | 273,61 | 17,7% |
| Fundos de ações | 171,47 | 67,8% |
| CDB | 141,10 | 10,6% |
| Fundos estruturados | 61,44 | 27,2% |
| Títulos públicos | 55,36 | 21% |
| Poupança | 6,73 | 0,7% |
* CRA, CRI, LCA, LCI, LIG e Debêntures incentivadas
Fonte: Anbima – distribuição de produtos de investimento em 2025










