O recente ataque ao Irã recolocou o risco geopolítico no centro da precificação dos ativos globais, reacendendo movimentos clássicos de aversão a risco nos mercados financeiros. A avaliação é de Jaqueline Neo, especialista em câmbio e crédito da be.smart, que destaca uma mudança rápida no comportamento dos investidores diante do aumento da incerteza internacional.
Segundo a analista, em cenários de conflito o primeiro reflexo costuma ocorrer no mercado de commodities, com destaque para o petróleo. Qualquer ameaça à oferta global tende a pressionar os preços da energia, elevando as expectativas de inflação e, consequentemente, influenciando a trajetória futura das taxas de juros nas principais economias. Esse canal é particularmente sensível porque conecta o risco geopolítico diretamente à política monetária.
O segundo vetor relevante é o cambial. A busca por liquidez e proteção leva à valorização do dólar, enquanto moedas de países emergentes passam a sofrer pressão adicional. Nesse contexto, mesmo economias com fundamentos relativamente sólidos tendem a ser impactadas pelo movimento global de realocação de portfólio.
Para o Brasil, o efeito se manifesta principalmente por meio do fluxo estrangeiro. De acordo com Jaqueline Neo, apesar do diferencial de juros ainda favorável ao real, a moeda brasileira reage de forma rápida ao aumento do prêmio de risco global, refletindo a sensibilidade dos mercados emergentes a choques externos.
A especialista ressalta que a intensidade e a duração do movimento dependerão da evolução do conflito. Caso haja escalada, com impacto estrutural sobre os preços de energia ou sobre a inflação global, a reprecificação pode se tornar mais persistente. Em um cenário de contenção, no entanto, a tendência é de um ajuste tático e de curto prazo nos mercados, sem mudança estrutural no cenário macroeconômico.









