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Bridge loan de US$ 1,2 bilhão abre caminho para reorganização financeira da CSN, avalia especialista

Com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e vencimentos pesados em 2026 e 2027, a CSN busca reequilíbrio financeiro via bridge loan

A Companhia Siderúrgica Nacional (CSN) anunciou a contratação de um empréstimo-ponte de US$ 1,2 bilhão junto a um sindicato de bancos internacionais, com possibilidade de ampliação para US$ 1,4 bilhão. A operação, com prazo de cinco anos e custo de SOFR mais 6% ao ano, foi recebida pelo mercado como um movimento relevante de reorganização do passivo da empresa — mas longe de encerrar o debate sobre a saúde financeira da companhia.

Para Rafael Bellas, Head de Alocação da InvestSmart XP, a captação chega em um momento crítico. A CSN encerrou 2025 com dívida líquida de R$ 41,2 bilhões e alavancagem de 3,47 vezes o EBITDA, patamar acima do que a própria administração persegue. O cenário foi agravado pelos juros elevados e pela variação cambial sobre a dívida externa, que levaram o resultado financeiro a fechar negativo em R$ 6,5 bilhões no ano — e a companhia a registrar prejuízo líquido de R$ 1,5 bilhão.

“O empréstimo-ponte não resolve sozinho a desalavancagem, mas melhora de forma relevante a gestão do passivo e reduz a pressão imediata sobre o balanço”, afirma Bellas. O analista lembra que a empresa ainda enfrenta um calendário pesado de vencimentos: cerca de R$ 10,5 bilhões em amortizações em 2026 e outros R$ 7,8 bilhões em 2027, o que mantém o refinanciamento no centro da tese.

Mais do que uma solução definitiva, Bellas enxerga na operação um sinal de mercado. “Representa um voto de confiança importante na capacidade de execução da companhia”, diz. O verdadeiro teste, na sua avaliação, virá com o plano de desinvestimentos da CSN, que prevê levantar entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões com a venda de participações em ativos como CSN Cimentos e CSN Infraestrutura — a agenda que pode, de fato, promover uma redução mais estrutural da alavancagem ao longo do ano.

“A CSN já começou a montar a ponte financeira de que precisava. Agora, o mercado deve acompanhar de perto a velocidade e a eficiência na execução dos desinvestimentos”, conclui o analista. Para Bellas, será essa capacidade de entrega que vai definir se o alívio conquistado agora se transforma em uma trajetória consistente de reequilíbrio financeiro.

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