A XP Investimentos elegeu a Cury como sua principal aposta no segmento de construtoras voltadas ao Minha Casa, Minha Vida e publicou relatório identificando uma combinação de fatores que deve favorecer a empresa nos próximos meses. Os analistas Ygor Altero e João Rodrigues enxergam a Cury, ao lado da Direcional, como as companhias mais bem posicionadas para capturar os benefícios de melhorias regulatórias e de financiamento no setor de baixa renda.
O primeiro vetor de impulso é o Fundo Social, mecanismo criado em 2010 e abastecido por royalties de petróleo pagos à União. A XP estima que o fundo pode destinar até R$ 30 bilhões para habitação em 2026, com foco especial na Faixa 3 do MCMV, justamente o segmento onde a Cury tem atuação mais intensa.
O segundo fator é a reforma do Imposto de Renda que entrou em vigor em janeiro, isentando trabalhadores que ganham até R$ 5 mil por mês. Segundo os analistas, essa mudança impacta diretamente cerca de 20,4 milhões de pessoas na faixa entre R$ 2.824 e R$ 5 mil, ampliando a base de potenciais compradores de imóveis populares.
Um efeito secundário também esperado é a formalização de trabalhadores informais com renda acima de R$ 5 mil, grupo de aproximadamente 4,7 milhões de pessoas que passará a ter incentivo para registrar a renda e, com isso, aumentar o valor venal permitido para financiamentos.
O terceiro vetor é a possível atualização das regras do MCMV. Nesta terça-feira (24), ocorre a primeira reunião do Conselho Curador do FGTS para discutir mudanças no programa. A XP espera que sejam propostos aumentos nos limites de renda e nos tetos de preço em todas as faixas, medidas que beneficiariam Cury e Direcional de forma mais direta, mas também Tenda, Plano & Plano e MRV.
Do lado dos riscos, os analistas apontam quatro pontos de atenção: a escassez de mão de obra qualificada no setor, agravada pela discussão sobre o fim da escala 6×1; as pressões inflacionárias decorrentes dos conflitos geopolíticos e da alta do petróleo; a possível deterioração fiscal após as eleições de 2026; e o aumento da competição caso as condições macroeconômicas melhorem e outras construtoras voltem a disputar o segmento popular com mais agressividade.









