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Dono da Reag negocia delação premiada desde novembro e pode fazer acordo conjunto com Vorcaro

A delação de Mansur em âmbito estadual indica ausência de alvos com foro federal e o dinheiro a ser devolvido iria para SP por desvios de recursos locais

João Carlos Mansur, ex-dono da Reag e um dos alvos das investigações relacionadas ao Banco Master, decidiu fazer uma delação premiada e negocia os termos do acordo desde novembro do ano passado, antes mesmo da primeira prisão de Daniel Vorcaro. Mansur procurou o Ministério Público de São Paulo para delatar no âmbito da Operação Carbono Oculto, que apura a infiltração do PCC na economia formal por meio de fundos de investimento usados para lavar dinheiro de atividades criminosas em postos de combustíveis.

O detalhe que agita os bastidores das investigações é que Mansur e Vorcaro têm o mesmo advogado: José Luís Oliveira Lima, o Juca, contratado pelo ex-banqueiro há cerca de duas semanas para negociar sua própria delação. A coincidência cria a possibilidade concreta de uma delação combinada entre os dois, negociada com a PGR e a Polícia Federal. Não seria um acordo formal conjunto, mas uma estratégia coordenada pelas defesas: os dois precisariam apresentar narrativas compatíveis, sem contradições, e se complementar nas informações entregues às autoridades. O tamanho dos benefícios para cada um dependeria do volume de provas apresentadas e da gravidade dos crimes imputados individualmente.

As negociações de Mansur enfrentaram obstáculos até agora. Uma proposta de colaboração ao Ministério Público Federal em São Paulo não avançou. Tratativas com procuradores da República que atuaram na Operação Quasar, relacionada a alvos semelhantes aos da Carbono Oculto, foram encerradas em estágio inicial. O acordo que avançou até o momento está sendo negociado com o Ministério Público do Estado de São Paulo, esfera que indica a ausência de alvos com foro especial federal no escopo da delação de Mansur. Nesse caso, eventuais valores a serem devolvidos também iriam para o estado, por desvios de recursos locais.

A Reag, que tinha R$ 352 bilhões sob administração em novembro de 2025 e era uma das maiores gestoras independentes do país, foi liquidada pelo Banco Central em janeiro deste ano por comprometimento de sua situação econômico-financeira e graves violações às normas do sistema financeiro. Mansur havia deixado a presidência do Conselho de Administração em setembro para tentar conter a crise criada pela Carbono Oculto. Em depoimento à CPI do Crime Organizado neste mês, ele negou irregularidades e disse que a empresa foi penalizada por ser grande e independente.

Além de Mansur, as principais delações da Carbono Oculto ainda em aberto podem envolver os empresários foragidos Roberto Augusto Leme da Silva, conhecido como Beto Louco, e Mohamad Hussein Mourad, o Primo. O caso está sob a responsabilidade da PGR e é supervisionado pelo STF.

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