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Grupo Mateus entra na distribuição farmacêutica com aprovação do Cade para joint venture

A aprovação chega num momento difícil para o Mateus cujas ações acumulam queda de 31% em 12 meses com Ebitda recuando 6% e lucro despencand

A Superintendência-Geral do Cade aprovou nesta segunda-feira (30) a criação de uma joint venture entre o Armazém Mateus, subsidiária do Grupo Mateus, e a AS&J Holding, integrante do grupo Toureiro.

A operação une dois perfis complementares: o Grupo Mateus traz sua capilaridade no varejo do Norte e Nordeste, enquanto o Toureiro contribui com expertise na distribuição de medicamentos e produtos médico-hospitalares para farmácias, hospitais e órgãos públicos.

O negócio combina conhecimento operacional de ambas as partes para atuar na comercialização e distribuição farmacêutica nas duas regiões.

O Cade avaliou a operação como uma combinação de negócios e não como uma concentração relevante de mercado, argumento sustentado pelas próprias empresas ao apontar a existência de ao menos oito grandes concorrentes no setor.

O Grupo Mateus reconheceu que sua atuação no varejo farmacêutico ainda é incipiente, com número limitado de lojas próprias e expansão iniciada recentemente, o que reforçou a tese de que a joint venture representa entrada no mercado e não consolidação de posição dominante.

A movimentação do Mateus no setor farmacêutico não é isolada no universo do atacarejo. O Assaí já avança na abertura de farmácias dentro de seus próprios estabelecimentos, e a parceria com o Toureiro é explicitamente posicionada como resposta estratégica a esse movimento.

Para grandes redes de atacarejo com base de clientes que inclui tanto consumidores finais quanto pequenos comerciantes, a farmácia dentro do complexo funciona como âncora de tráfego e diversificação de receita.

A aprovação chega num momento de pressão para o Grupo Mateus. As ações da companhia acumulam desvalorização de 31% nos últimos 12 meses, negociadas a R$ 4,70 na B3, longe do protagonismo do IPO de 2020, quando a empresa captou R$ 4,6 bilhões na maior abertura de capital daquele ano.

No quarto trimestre de 2025, o Ebitda ajustado recuou 6% e o lucro líquido ajustado despencou 18%, reflexo de um ambiente adverso para o varejo alimentar do Nordeste, onde crédito restrito, deflação de alimentos e juros elevados comprimem tanto a margem quanto a demanda. Para a XP, esses fatores devem continuar pesando sobre a operação do grupo ao longo de 2026.

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