A nova edição da Sondagem Industrial mostra que, mesmo em um cenário de queda generalizada das expectativas, a intenção de investimento das empresas subiu pelo segundo mês consecutivo, passando de 54,8 para 55,2 pontos. De acordo com Marcelo Azevedo, gerente de Análise Econômica da CNI, esse movimento reflete cautela, mas também um reposicionamento diante da perspectiva de redução dos juros em 2026. O índice vem de um ano marcado por queda após o pico de dezembro de 2024.
No levantamento de novembro, a expectativa de compras de matérias-primas e insumos recuou de 51 para 50 pontos, sinalizando estabilidade no horizonte de seis meses. Também houve queda na expectativa de geração de empregos, que atingiu 49,1 pontos e manteve a tendência de retração observada nos últimos quatro meses. Para a CNI, a combinação de demanda fraca e exportações em declínio reduz o ímpeto das empresas para contratar.
As exportações permanecem pressionadas pelo impacto das tarifas impostas pelos Estados Unidos. Mesmo após o anúncio de revogação da tarifa adicional de 40% sobre uma lista específica de produtos, os manufaturados — principal categoria exportada pela indústria brasileira — continuam sujeitos à sobretaxa. A expectativa de exportações ficou em 48 pontos pelo quarto mês consecutivo, enquanto a quantidade efetivamente exportada também permaneceu abaixo da linha de 50, recuando para o mesmo patamar.
Com o mercado americano menos acessível, Azevedo observa que parte da produção voltada ao exterior tem sido redirecionada ao mercado doméstico. Esse movimento, segundo ele, ocorre porque a demanda interna mais fraca transformou o Brasil em destino preferencial para empresas estrangeiras que buscam escoar estoques diante das restrições impostas pelos EUA.
A sondagem também indica aumento da utilização da capacidade instalada (UCI), que passou de 70% para 71% em outubro, embora ainda abaixo dos 74% observados no mesmo período de 2024. Para o gerente da CNI, o nível de ociosidade é consequência direta da queda na demanda industrial. Apesar disso, os estoques seguem próximos ao planejado, registrando 50,3 pontos em outubro, após 50,8 em setembro.
A deterioração das expectativas de demanda chama atenção. O indicador caiu para 51,3 pontos em novembro, o pior resultado para o mês desde 2016. Embora o índice permaneça acima da linha de 50 pontos, sinalizando expectativa de crescimento, Azevedo ressalta que o ritmo é muito aquém do padrão histórico para o período. Ele aponta que a combinação de inflação em desaceleração, juros elevados e incerteza fiscal tem limitado o fôlego das empresas.
Em contraste com o recuo da demanda, a produção industrial registrou leve alta na passagem de setembro para outubro, subindo de 50,1 para 51,5 pontos. A CNI alerta, porém, que a divergência entre produção e demanda pode levar ao acúmulo de estoques no médio prazo, especialmente se os juros permanecerem elevados. Esse cenário tende a pressionar a atividade industrial nos próximos meses.
Segundo a Confederação, a pesquisa ouviu 1.446 empresas entre 3 e 12 de novembro, incluindo 603 de pequeno porte, 492 de médio porte e 351 de grande porte.









