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Varejo paulistano registra melhora pontual na confiança, mas indicadores mostram fragilidade econômica

Indicadores da FecomercioSP mostram reação pontual na confiança do comerciante, ainda abaixo do nível de otimismo

O Índice de Expansão do Comércio também apresentou avanço em outubro, encerrando uma sequência de duas quedas consecutivas. O indicador atingiu 104,7 pontos, impulsionado sobretudo pela expectativa de contratação de funcionários, que subiu para 113,6 pontos no mês. A FecomercioSP avalia que o resultado reflete o movimento tradicional de reforço de equipes para atender à demanda de Black Friday, Natal e ao impacto do décimo terceiro salário. Apesar da alta mensal, o IEC ainda registra retração de 7,7% na comparação anual, sugerindo que o varejo segue cauteloso diante de juros elevados e desaceleração da economia.

A postura conservadora também aparece no nível de investimento das empresas, que subiu 1,4% em outubro, chegando a 95,9 pontos, mas permaneceu na zona de pessimismo pelo 11º mês consecutivo. A federação observa que a combinação de crédito caro, aumento da inadimplência e margens comprimidas tem limitado planos de ampliação de lojas, reformas e compras de equipamentos. Mesmo em período sazonalmente favorável, o empresário tende a adotar estratégias de contenção para preservar caixa.

No ICEC, o subíndice de investimento do empresário do comércio registrou avanço para 101,8 pontos, retornando à faixa de otimismo. Já o Índice de Expectativas do Empresário do Comércio teve recuperação após três quedas seguidas, alcançando 117 pontos. Em relação ao ano anterior, no entanto, ambos ainda demonstram queda significativa, indicando que a melhora não representa reversão de tendência. Para a FecomercioSP, o resultado de outubro sinaliza preparação das empresas para o fortalecimento das vendas de fim de ano, com reforço de equipes e ajustes operacionais.

O componente mais fraco do ICEC é o Índice das Condições Atuais, que caiu para 68,1 pontos, mantendo-se abaixo de 100 pelo 32º mês consecutivo. O desempenho é influenciado pela insatisfação com rentabilidade, custos, juros altos e limitações impostas pela política econômica. Mesmo com algum crescimento das vendas nos meses recentes, o caixa das empresas continua pressionado, sobretudo entre aquelas que ainda enfrentam dívidas acumuladas nos últimos anos. Em relação a outubro de 2024, o subíndice recuou 17,6%.

O ICEC geral registrou 95,6 pontos em outubro, alta de 1,8% após duas quedas seguidas. Apesar do avanço, o indicador segue na zona de pessimismo e está 13,4% abaixo do nível registrado no ano passado. A FecomercioSP explica que a elevação mensal reflete o otimismo típico que antecede o período festivo, mas alerta que a recuperação da confiança depende de melhora no ambiente econômico, com redução dos juros, retomada do consumo e fortalecimento das empresas.

A federação também reforça que o momento exige planejamento rigoroso por parte dos comerciantes. Entre as recomendações estão organização de estoques, negociação antecipada com fornecedores, definição de campanhas promocionais e adequação das equipes, inclusive com contratações temporárias, para aproveitar o aumento da demanda de fim de ano. Segundo a FecomercioSP, o cenário favorece estratégia comercial estruturada, mas não elimina a necessidade de cautela.

O levantamento integra o Panorama do Comércio do 3º trimestre e reflete respostas de empresários paulistanos sobre condições atuais, expectativas e intenção de investimentos em um ambiente marcado pelo crédito restrito, inflação acima da meta e sinais de desaceleração econômica.

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