As movimentações políticas recentes, marcadas pela prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro e pelas declarações do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, reacenderam o debate sobre a organização da direita para a próxima eleição presidencial e sobre possíveis efeitos no mercado financeiro. Para gestores consultados sob condição de anonimato, o cenário pode antecipar decisões internas do campo conservador, embora haja divergências quanto à conveniência e ao impacto dessa estratégia.
Uma parte dos profissionais avalia que anunciar uma candidatura antes de março ou abril pode ser prejudicial, pois exporia o nome escolhido antecipadamente ao desgaste político. Segundo essa leitura, um anúncio prematuro retiraria de Bolsonaro a possibilidade de continuar exercendo influência sobre o grupo. Ainda assim, alguns interlocutores afirmam que, diante do esvaziamento da pauta da anistia e da proximidade do recesso legislativo, setores da direita podem considerar antecipar o movimento para dezembro.
Outra corrente entende que não há ganhos políticos claros em anunciar um nome neste momento, principalmente porque o quadro eleitoral ainda pode sofrer alterações significativas. Mesmo assim, parte dos gestores acredita que, caso a antecipação ocorra, o mercado poderia reagir de forma positiva, ainda que alguns analistas defendam que o tema já está parcialmente refletido nos preços.
Há também quem avalie que a probabilidade de aceleração do anúncio aumentou devido à combinação dos fatos recentes. Para esse grupo, a melhora observada nos ativos locais, sobretudo na sessão de ontem, foi influenciada pelas declarações de Tarcísio de Freitas e pela percepção de que ele seria, até o momento, o nome mais competitivo da direita. O movimento nos juros, câmbio e bolsa, segundo um dos profissionais consultados, refletiu esse entendimento.
O governador de São Paulo tem sinalizado abertura para disputar a Presidência, embora indique que uma candidatura dependeria do aval de Bolsonaro. Interlocutores interpretam a postura como um recado de que Tarcísio pretende conduzir qualquer eventual entrada no pleito “nos seus próprios termos”, em posição mais fortalecida.
Durante evento promovido pelo UBS WM, Tarcísio afirmou que a articulação dentro da direita já está em andamento e que o grupo deve escolher o candidato até março. Ele disse ainda que considera possível reorientar o país rapidamente, embora não tenha detalhado pontos relacionados ao programa econômico ou político.










