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BC identifica ligação entre fundos da Reag e operações do Master e BRB

Apurações ligam fundos da Reag a empréstimos simulados e tentativas de aporte de capital

Fiscais do Banco Central do Brasil identificaram conexão entre recursos supostamente desviados por meio de fundos administrados pela Reag DTVM e operações consideradas irregulares envolvendo o Banco Master e o Banco de Brasília. Segundo as apurações, parte do dinheiro resultante dessas operações foi objeto de pedido de congelamento feito pelo BC ao Ministério Público Federal em novembro, diante do risco de comprometimento da recuperação futura dos valores.

Fontes ouvidas indicam que as duas principais frentes de investigação do caso Master — uma relacionada às operações com o BRB e outra envolvendo fundos mantidos na Reag — estão interligadas. Há ainda outras apurações em andamento que podem resultar em novas comunicações ao Ministério Público. Entre julho de 2023 e julho de 2024, conforme informação comunicada ao MP em 17 de novembro, teriam sido desviados R$ 11,5 bilhões do Master por meio de empréstimos considerados simulados, com trânsito de recursos por fundos administrados pela Reag.

As investigações apontam que uma parcela desses recursos quase retornou à própria instituição controlada por Daniel Vorcaro por meio de tentativas de aportes de capital realizados por supostos laranjas, utilizando instrumentos híbridos de capital e dívida, tanto no Master quanto no BRB. Em uma das frentes, os fiscais rastrearam o fluxo de recursos que saiu do Master, passou por fundos da Reag e, ao final, foi identificado em nome de terceiros.

Segundo os relatos, o primeiro passo consistiu na concessão de dezenas de operações de crédito pelo Master a empresas supostamente ligadas ao esquema, com valores que chegavam a R$ 500 milhões e prazos de carência de até quatro anos. Após o recolhimento do IOF, essas empresas aplicavam os recursos em fundos da Reag, o que criava, formalmente, uma correspondência entre passivos e ativos nos balanços das companhias.

As apurações indicam que os fundos adquiriram ativos sem referência de preços de mercado, como supostos créditos vinculados ao antigo Banco Estadual de Santa Catarina, com valores considerados inflados. Os papéis eram registrados com preços superiores ao valor econômico, e a diferença seria desviada por integrantes do esquema. Em seguida, os recursos transitavam por outros fundos para dificultar a identificação do beneficiário final, até chegarem a pessoas apontadas como laranjas.

De acordo com o BC, alguns desses mesmos nomes apareceram posteriormente em tentativas de aporte de capital no Master e no BRB, a partir de fundos administrados pela Reag que haviam recebido recursos oriundos dos empréstimos simulados. Parte dos pedidos foi recusada por falta de comprovação da origem dos recursos e da capacidade financeira dos proponentes.

O Banco Central solicitou o congelamento dos fundos em novembro de 2025, medida considerada relevante para preservar recursos e viabilizar a recuperação de parte dos prejuízos que poderão ser suportados pelo Fundo Garantidor de Crédito com a liquidação do Master. O caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Dias Toffoli.

Em nota, o STF informou que os bloqueios já realizados foram mantidos e que não houve novos pedidos de bloqueio até o momento, nem pela Polícia Federal nem pelo Ministério Público. A Reag afirmou não ser alvo da Operação Compliance Zero e declarou que não possui relação com os fatos investigados envolvendo o Banco Master. A gestora disse ainda que seus fundos são regulados, auditados e supervisionados pela Comissão de Valores Mobiliários e pelo Banco Central.

A empresa também mencionou que foi citada em investigações da Operação Carbono Oculto, que apura suspeitas de lavagem de dinheiro do Primeiro Comando da Capital, mas afirmou que não há documentos oficiais que a vinculem aos fatos. O Banco Master não se manifestou.

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