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Brasil registra pior desempenho nas exportações de etanol em oito anos

Dados da Secex mostram queda de 14,6% nas exportações de etanol em 2025, apesar de recuperação em dezembro

As exportações brasileiras de etanol encerraram 2025 com o pior desempenho dos últimos oito anos, mesmo com uma recuperação pontual observada no último mês do ano. De acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior, compilados pela Datagro, o volume embarcado totalizou 1,612 bilhão de litros no acumulado do ano, recuo de 14,6% em relação a 2024 e de 20,0% frente à média dos últimos cinco anos, configurando o menor patamar anual desde 2017.

Em dezembro, os embarques apresentaram reação após dois meses consecutivos de retração. As exportações somaram 173 milhões de litros no mês, alta de 56,8% na comparação com dezembro do ano anterior. Apesar do avanço, o volume permaneceu 6,3% abaixo da média histórica para o período, indicando que a melhora não foi suficiente para reverter o desempenho negativo do ano.

A receita acompanhou o aumento observado no fim de 2025. Em dezembro, o faturamento com exportações alcançou US$ 101 milhões, crescimento de 67,5% em relação ao mesmo mês de 2024. O resultado refletiu tanto o maior volume exportado quanto a recuperação parcial dos preços, com o valor médio do etanol atingindo US$ 0,58 por litro, acima dos US$ 0,55 registrados um ano antes. No acumulado de 2025, porém, a receita totalizou US$ 934 milhões, queda de 11,2% na comparação anual, apesar da elevação do preço médio frente a 2024.

No recorte por destinos, a Coreia do Sul manteve a liderança nas compras em dezembro, com 98 milhões de litros, equivalentes a 56,5% do total exportado no mês. A Holanda apareceu em seguida, com 40 milhões de litros e participação de 23,2%, consolidando-se como principal porta de entrada do etanol brasileiro na Europa. As Filipinas ficaram na terceira posição, com 15 milhões de litros, ou 8,8% do total mensal.

No acumulado do ano, a Coreia do Sul também liderou as importações de etanol brasileiro, com 780 milhões de litros, o equivalente a 48,4% do total exportado, volume praticamente estável em relação a 2024. Os Estados Unidos ocuparam a segunda colocação, com 253 milhões de litros e participação de 15,7%, registrando retração de 18,4% frente ao ano anterior. Em contrapartida, a Holanda ampliou de forma expressiva suas compras, que somaram 221 milhões de litros, crescimento de 45,3% e participação de 13,7% no total.

Outros mercados relevantes apresentaram comportamentos distintos ao longo de 2025. Gana importou 61 milhões de litros, alta de 40,8%, enquanto Camarões adquiriu 49 milhões de litros, avanço de 129,1%. Por outro lado, as Filipinas e a Nigéria reduziram suas compras em 36,3% e 59,9%, respectivamente. Os demais 66 destinos responderam por 8,9% do volume total exportado no ano.

Na direção oposta ao desempenho das exportações, as importações brasileiras de etanol cresceram de forma significativa em 2025. O país importou 319 milhões de litros ao longo do ano, alta de 66,2% em relação a 2024 e o maior volume desde 2021. Do total adquirido, 43,9% tiveram origem nos Estados Unidos, 29,9% no Paraguai e 26,2% na Argentina, conforme os dados da Secex.

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