A crise política e militar na Venezuela passou a produzir efeitos diretos sobre a aviação comercial internacional, com reflexos em cancelamentos de voos, restrições ao espaço aéreo e alterações na estrutura de custos das companhias aéreas. Segundo análise recente da Jefferies, a instabilidade no país afetou de forma imediata a operação aérea em toda a região do Caribe, considerada relevante para o fluxo de passageiros das principais transportadoras globais.
A situação se intensificou após uma operação militar conduzida pelos Estados Unidos em território venezuelano, que resultou na captura do presidente Nicolás Maduro durante uma ação de grande escala em Caracas. Na sequência do episódio, a Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos impôs restrições temporárias de voo, levando ao cancelamento e ao desvio de centenas de operações aéreas em países e territórios caribenhos.
De acordo com a Jefferies, mais de 300 voos com origem ou destino em Porto Rico foram cancelados após a imposição das restrições. Companhias aéreas norte-americanas ajustaram suas operações para atender às determinações da autoridade aeronáutica. A Delta Air Lines informou que iniciou cancelamentos de voos para o Caribe no início do sábado, enquanto a Southwest Airlines comunicou o cancelamento ou desvio de viagens com destino a Aruba, República Dominicana e Porto Rico.
As interrupções atingem uma região que representa parcela relevante da receita de passageiros das grandes companhias aéreas dos Estados Unidos. Segundo a corretora, a América Latina responde por aproximadamente 13% da receita de passageiros projetada para 2025 da American Airlines, 10% da United Airlines e 8% da Delta Air Lines, o que amplia a sensibilidade do setor a choques geopolíticos na região.
Além das restrições operacionais, a crise venezuelana também influencia as companhias aéreas por meio dos preços do combustível. A Jefferies observa que os preços do petróleo Brent e WTI acumulam queda de cerca de 21% em 2025, contribuindo para a redução dos custos de combustível das transportadoras. No momento da análise, o barril do Brent era negociado próximo de US$ 60.
A Venezuela detém as maiores reservas comprovadas de petróleo do mundo, estimadas em cerca de 303 bilhões de barris, mas sua produção permanece limitada a aproximadamente 1 milhão de barris por dia, o equivalente a 0,8% da produção global. Sanções internacionais, restrições econômicas e baixo investimento em infraestrutura explicam o descompasso entre reservas e produção efetiva.
A corretora ressalta que movimentos nos preços do petróleo associados aos desdobramentos na Venezuela são acompanhados de perto pelas companhias aéreas, dado que o combustível figura entre os principais custos operacionais do setor. Para 2026, a Jefferies trabalha com um preço médio do petróleo em torno de US$ 62,40 por barril, abaixo dos níveis estimados para 2025 e 2024.
Segundo os analistas, uma variação de 5% no custo médio do combustível por galão em 2026 pode gerar impacto relevante nos resultados financeiros das companhias aéreas. O efeito estimado varia entre 5% e 10% no lucro de Delta, Southwest e United, e pode alcançar cerca de 20% no caso da American Airlines.
Além do impacto nos custos e das restrições ao espaço aéreo, a crise adiciona um componente de incerteza operacional às rotas do Caribe e da América Latina. A Jefferies avalia que os efeitos iniciais do episódio estão concentrados principalmente nas companhias aéreas, refletindo cancelamentos, desvios de rotas e oscilações nos preços do petróleo.










