A inflação é a variação generalizada e contínua dos preços de bens e serviços em uma economia ao longo do tempo. Ela é considerada um dos principais indicadores macroeconômicos porque afeta diretamente o poder de compra da moeda, os custos de produção, o consumo das famílias e o planejamento de empresas e governos. No Brasil, o acompanhamento da inflação ocorre dentro de um arcabouço institucional definido, no qual índices oficiais são produzidos por órgãos estatísticos e monitorados pelo Banco Central do Brasil como referência para a condução da política monetária.
Do ponto de vista econômico, a inflação não se refere ao aumento isolado de preços específicos, mas à elevação média de um conjunto amplo de produtos e serviços representativos do consumo da população. Esse movimento pode resultar de diferentes fatores, como aumento da demanda em relação à oferta disponível, elevação de custos de produção, variações cambiais, choques externos ou ajustes de preços administrados. A intensidade e a persistência dessas pressões são acompanhadas pelas autoridades monetárias, que utilizam instrumentos como a taxa Selic para influenciar as condições de crédito e a demanda na economia. Quando esses fatores se disseminam por vários setores, ocorre a perda gradual do valor de compra da moeda, caracterizando o processo inflacionário.
No Brasil, a inflação é medida por meio de índices de preços calculados com base em pesquisas sistemáticas de mercado. O principal indicador oficial é o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo, conhecido como IPCA, que serve como referência para o regime de metas de inflação. O índice é produzido pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística e acompanha a variação de preços de uma cesta de bens e serviços consumidos por famílias com diferentes níveis de renda em diversas regiões metropolitanas do país. A composição dessa cesta e os pesos atribuídos a cada item são definidos a partir de pesquisas de orçamento familiar, o que permite refletir padrões médios de consumo.
Além do IPCA, existem outros índices utilizados para finalidades específicas, como o Índice Nacional de Preços ao Consumidor, voltado a famílias de menor renda, e indicadores calculados por instituições privadas ou fundações de pesquisa, que costumam ser empregados em análises setoriais ou contratuais. Cada índice possui metodologia própria, mas todos se baseiam na coleta periódica de preços e na comparação com períodos anteriores para identificar a variação percentual.
A inflação pode ser observada sob diferentes recortes temporais. A inflação mensal representa a variação dos preços em relação ao mês imediatamente anterior. A inflação acumulada corresponde à soma das variações ao longo de um intervalo específico, como um trimestre ou um ano. Já a inflação anual, também chamada de inflação em 12 meses, compara o nível médio de preços com o registrado no mesmo período do ano anterior, sendo amplamente utilizada para análises macroeconômicas e definição de políticas públicas.
A relação entre inflação e política monetária é central no funcionamento da economia brasileira. O Banco Central utiliza os índices de inflação como principal parâmetro para definir a taxa básica de juros, a Selic, por meio das decisões do Comitê de Política Monetária (Copom). O objetivo desse processo é manter a inflação dentro da meta estabelecida pelo Conselho Monetário Nacional, preservando a estabilidade do poder de compra da moeda. Relatórios e projeções, como os divulgados periodicamente no Boletim Focus, complementam esse acompanhamento ao reunir expectativas de mercado sobre o comportamento futuro dos preços e da economia.









