O mercado financeiro encerrou esta terça-feira, 14, com desempenho relativamente melhor para os ativos brasileiros em comparação ao exterior, em uma sessão marcada por cautela nos mercados globais. O dólar apresentou alta moderada frente ao real, os juros locais permaneceram estáveis e o Ibovespa avançou, interrompendo uma sequência de duas quedas consecutivas. No exterior, as bolsas norte-americanas fecharam em baixa, pressionadas pelo início da temporada de resultados corporativos e pela expectativa por novos sinais sobre a condução da política monetária nos Estados Unidos.
Segundo a estrategista-chefe da Nomad, Paula Zogbi, o dia foi de viés levemente negativo para ativos de risco no cenário internacional, enquanto o Brasil apresentou performance relativa superior. De acordo com ela, o comportamento do mercado reflete a combinação entre ajustes de posição e a reavaliação das apostas sobre os próximos passos do Federal Reserve.
Nos Estados Unidos, os rendimentos dos Treasuries recuaram parcialmente após a alta recente, com o título de dez anos operando em torno de 4,1% a 4,2%. O movimento ocorreu à medida que investidores reforçaram expectativas de cortes de juros pelo Fed, apoiados por dados mais suaves de inflação e mercado de trabalho. Esse ambiente também sustentou a busca por ativos considerados proteção, como ouro e prata, que voltaram a operar em máximas históricas.
O Livro Bege divulgado nesta terça-feira contribuiu para essa leitura ao indicar crescimento moderado da economia americana. O relatório apontou sinais de desaceleração marginal da demanda e do mercado de trabalho, sem evidências de uma recessão iminente. Para Paula Zogbi, o documento reforça a narrativa de que o Fed deve promover cortes graduais de juros, sem um ciclo agressivo de afrouxamento monetário.
No Brasil, a combinação de cenário externo menos favorável e fatores domésticos resultou em uma sessão de menor volatilidade. A estabilidade da curva de juros e a recuperação do Ibovespa sugerem que o mercado local segue sensível às mudanças nas expectativas globais, mas com alguma resiliência diante do fluxo internacional e da reprecificação dos juros nos Estados Unidos.









