As ações da CVC lideraram as perdas do mercado acionário brasileiro nesta sexta-feira após o anúncio de uma mudança no comando executivo da companhia. Os papéis, que não integram a carteira do Ibovespa, registravam queda acentuada na B3 ao longo do pregão, refletindo a reação dos investidores à decisão do conselho de administração.
Por volta das 14h30, as ações CVCB3 recuavam 13,70%, negociadas a R$ 2,33. Durante a sessão, a desvalorização chegou a atingir 24,81%, quando os papéis tocaram a mínima intradiária de R$ 2,03. O movimento ocorreu após a empresa informar a destituição de Fabio Martinelli Godinho do cargo de diretor-presidente, função que ocupava desde 2023 com a missão de conduzir o processo de reestruturação da companhia.
Para o lugar de Godinho, o conselho nomeou Fabio Mader, que exercia o cargo de vice-presidente executivo de Produtos e Revenue Management. O executivo também acumulou experiência como country manager da CVC na Argentina. O mandato de Mader se estenderá até a primeira reunião do conselho realizada após a Assembleia Geral Ordinária, prevista para avaliar e deliberar sobre as demonstrações financeiras referentes ao exercício de 2025.
Na avaliação de analistas, a mudança no comando não altera de forma relevante a estratégia já em curso. O Citi classificou a decisão como neutra, com potencial efeito positivo no médio prazo. Segundo o banco, o executivo que deixa o cargo liderou etapas importantes do processo de reorganização, incluindo uma oferta de ações, renegociação de dívidas e reforço das parcerias com fornecedores, especialmente no setor aéreo. Para o Citi, a nova fase da companhia pode se beneficiar da experiência técnica do novo CEO nas áreas de produto e precificação.
Ainda assim, o banco manteve recomendação neutra para os papéis, com classificação de alto risco, citando o nível elevado de endividamento como fator que limita o potencial de valorização. Avaliação semelhante foi apresentada pelo Santander, que descreveu a troca no comando como um passo natural dentro da estratégia existente, sem mudança relevante de direcionamento. O banco também manteve recomendação neutra e estabeleceu preço-alvo de R$ 2,40 para a ação, abaixo do fechamento da véspera, quando os papéis encerraram cotados a R$ 2,70.










