Os Correios iniciaram articulações para levantar até R$ 8 bilhões adicionais até junho, por meio de um novo empréstimo ou de aporte da União, com o objetivo de dar continuidade ao plano de reestruturação da estatal e evitar um novo aperto de caixa ao longo de 2026.
Segundo pessoas com conhecimento do tema, os R$ 12 bilhões obtidos no fim de 2025 em uma operação de crédito com cinco bancos — entre eles Banco do Brasil e Caixa Econômica Federal, além de Bradesco, Itaú e Santander — devem sustentar as operações apenas até meados deste ano. Parte do valor, R$ 10 bilhões, já foi incorporada ao caixa da empresa, enquanto os R$ 2 bilhões restantes devem ser liberados até o fim de janeiro.
A necessidade total de recursos para o plano de reestruturação foi estimada em R$ 20 bilhões. Os valores são destinados à regularização de dívidas, ao financiamento de medidas de ajuste, como programas de demissão voluntária e alterações no plano de saúde, além da manutenção das obrigações correntes da companhia. Em entrevista no fim de 2025, o presidente dos Correios, Emmanoel Rondon, afirmou que ainda seriam necessários cerca de R$ 8 bilhões para cumprir esses compromissos.
Nas últimas semanas, a direção da empresa passou a sondar instituições financeiras sobre o interesse em uma nova operação de crédito. Paralelamente, há esforços para viabilizar um aporte da União já sinalizado pelo Ministério da Fazenda durante a negociação do empréstimo anterior.
O contrato firmado com o sindicato de bancos prevê um aporte de até R$ 6 bilhões por parte da União até 2027, conforme confirmado pelo Tesouro Nacional. A cláusula não estabelece vínculo com novas operações de crédito, o que implica que o governo federal deverá realizar a injeção de recursos independentemente de futuras captações no mercado.
Além de atuar como fiador da operação de crédito, a União poderá realizar o aporte de forma parcelada ou em parcela única até o fim de 2027. Nos bastidores, a empresa busca antecipar ao menos parte desse valor para evitar pressões financeiras ainda em 2026, período que coincide com o calendário eleitoral.
Há também avaliação de que o apetite dos bancos para uma nova rodada de financiamento pode ser limitado. A primeira operação envolveu as maiores instituições do país, e uma nova captação, segundo executivos do setor, poderia elevar excessivamente o endividamento da estatal. Pelo contrato vigente, a dívida tem prazo de 15 anos, com três anos de carência, e o serviço anual deverá superar R$ 1 bilhão a partir de 2028.
Diante desse cenário, técnicos avaliam que um aporte direto da União será inevitável. O governo também discute alternativas adicionais de apoio, como mecanismos de compensação pela prestação do serviço postal universal, obrigação constitucional que representa parcela relevante dos custos da empresa.
Procurados, os Correios informaram que a primeira etapa do plano de reestruturação está em andamento e que novas operações financeiras poderão ser avaliadas nas próximas fases, desde que alinhadas aos objetivos estratégicos da companhia.










