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Perda de 618 mil vagas formais em dezembro acende alerta no Copom

Destruição de empregos supera projeções e indica desaceleração gradual do mercado de trabalho

Os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) apontaram a destruição líquida de 618,2 mil postos de trabalho com carteira assinada em dezembro de 2025, número significativamente acima da expectativa do mercado, que projetava a eliminação de cerca de 472 mil vagas no período. O resultado reforça os sinais de desaceleração gradual do mercado de trabalho brasileiro ao final do ano.

Segundo a analista de Macroeconomia da InvestSmart XP, Sara Paixão, o resultado negativo é parcialmente explicado por fatores sazonais. Historicamente, o mês de dezembro registra fechamento de vagas formais em função do encerramento de contratos temporários criados para atender à demanda do fim de ano, especialmente no comércio e em setores ligados ao consumo.

Entre os segmentos com maior impacto negativo no mês estiveram construção civil, varejo e indústria, que concentraram a maior parte das demissões formais. Apesar do resultado expressivo em termos de vagas, os dados salariais indicam que o mercado de trabalho ainda apresenta resiliência. Houve aumento real de 0,1% nos salários em relação ao mês anterior e crescimento real de 2,5% na comparação anual.

De acordo com Sara Paixão, esse comportamento sugere que, embora o mercado de trabalho siga robusto, o processo de desaceleração começa a se materializar, em linha com o patamar elevado da taxa de juros mantido ao longo de 2025. A combinação de menor geração de empregos com ganhos reais de renda mais moderados aponta para um ajuste gradual das condições de atividade.

O resultado do Caged passa a integrar o conjunto de indicadores monitorados pelo Comitê de Política Monetária (Copom) nas próximas decisões de política monetária. Segundo a analista, a intensidade da desaceleração do mercado de trabalho será um fator relevante para definir a magnitude do corte de juros sinalizado pelo Copom na última reunião.

Nesse contexto, Sara Paixão avalia que indicadores mais favoráveis de inflação, combinados com dados de atividade e emprego mostrando arrefecimento, podem abrir espaço para um início de flexibilização monetária mais intenso. Esse cenário contribuiu para que o mercado passasse a precificar um primeiro corte de 0,5 ponto percentual na taxa Selic, caso a tendência de desaceleração se confirme nos próximos meses.

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