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Vale pode pagar dividend yield de 8,2% em 2026, projeta o J.P. Morgan

Relatório aponta fundamentos operacionais sólidos e geração de caixa consistente da mineradora

Mesmo após um período de forte valorização no mercado acionário, a Vale segue apresentando métricas que sustentam uma política robusta de remuneração aos acionistas. De acordo com projeções do J.P. Morgan, a companhia deve distribuir em 2026 dividendos equivalentes a 8,2% do valor de suas ações, estimativa que acompanha a manutenção da recomendação de compra para os papéis.

O relatório observa que, nos últimos 12 meses, o retorno total ao acionista da Vale se aproximou de 80%, resultado que combina a apreciação das ações com os proventos pagos no período. Ainda assim, na avaliação dos analistas, a ação continua negociada a múltiplos inferiores à sua média histórica, mesmo após a recente trajetória de alta.

O banco fixou o preço-alvo das ações negociadas no Brasil em R$ 100 até dezembro, o que representa um potencial de valorização próximo de 20% em relação às cotações vigentes na data da análise. Para os ADRs negociados em Nova York, o alvo foi estabelecido em US$ 18. A leitura do J.P. Morgan é de que o mercado ainda não incorporou integralmente os avanços operacionais e financeiros da companhia.

Entre os fatores que embasam essa avaliação está o encerramento definitivo do caso Mariana, que removeu uma das principais incertezas jurídicas do balanço da mineradora. Soma-se a isso a manutenção de níveis consistentes de produção de minério de ferro, a redução de custos operacionais e uma geração de caixa considerada elevada. Para 2026, o banco estima um retorno de fluxo de caixa livre de 7,8%.

Outro ponto destacado é a revisão do capex de manutenção de longo prazo, reduzido de US$ 5 bilhões para US$ 4,5 bilhões, valor mais próximo da média histórica da empresa. Essa diminuição dos investimentos recorrentes tende a ampliar o caixa disponível, criando espaço adicional para distribuição de dividendos ou programas de recompra de ações. Em análise divulgada anteriormente, o Goldman Sachs estimou que essa dinâmica poderia permitir até US$ 400 milhões em proventos extraordinários já no primeiro trimestre de 2026.

Do lado dos riscos, o principal fator de atenção permanece sendo a volatilidade dos preços do minério de ferro. As projeções indicam uma recuperação gradual da produção da Vale, com volumes podendo alcançar cerca de 345 milhões de toneladas em 2027, desde que haja estabilidade operacional nas minas.

As estimativas financeiras para 2026 apontam receita de US$ 40,37 bilhões, EBITDA ajustado de US$ 16,62 bilhões, lucro líquido ajustado de US$ 7,03 bilhões, capex total de US$ 5,6 bilhões e dívida líquida de US$ 14,81 bilhões. Os dividendos projetados por ação chegam a US$ 0,98 no período.

O desempenho recente do minério de ferro também contribui para esse cenário. A commodity superou as projeções iniciais ao atingir cotações acima do esperado no início de 2026, impulsionada por demanda consistente da China e pela expansão da produção de aço na Índia. Segundo Yuri Pereira, analista de mineração do Santander Brasil, essa combinação fortaleceu o fluxo de caixa da Vale e ampliou sua capacidade de geração de valor.

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