A política energética sul-americana deve integrar a pauta da reunião prevista entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na segunda quinzena de março, em Washington. Segundo informações divulgadas pela CNN Brasil, o governo brasileiro pretende discutir a possibilidade de retomada das operações da Petrobras na exploração e produção de petróleo na Venezuela.
A estatal brasileira já atuou no mercado venezuelano em anos anteriores, mas encerrou suas atividades no país em meio ao agravamento da crise econômica e às sanções internacionais impostas ao regime de Nicolás Maduro. O novo cenário político, marcado pela captura de Maduro pelos Estados Unidos e pela reorganização do poder em Caracas, é avaliado por integrantes do governo brasileiro como um possível ponto de inflexão para reabrir conversas sobre investimentos no setor energético venezuelano.
De acordo com a apuração da emissora, autoridades venezuelanas sinalizaram disposição para discutir modelos de participação estrangeira na exploração e comercialização do petróleo do país. O governo liderado por Delcy Rodríguez teria indicado abertura para que investidores internacionais tenham influência nas decisões estratégicas do setor, em um contexto de reconfiguração institucional.
O presidente dos Estados Unidos, por sua vez, tem incentivado empresas americanas e de outras nacionalidades a avaliarem oportunidades no mercado energético venezuelano, diante da perspectiva de mudanças regulatórias e políticas. Nesse ambiente, o governo brasileiro entende que a Petrobras poderia integrar eventuais projetos, desde que haja respaldo político bilateral e condições jurídicas que ofereçam previsibilidade às operações.
Além da questão venezuelana, a reunião deve incluir a situação de Cuba. O governo brasileiro pretende abordar os efeitos das medidas adotadas pelos Estados Unidos que passaram a impor tarifas a países que fornecem petróleo à ilha. A política impactou o abastecimento cubano e ampliou dificuldades econômicas enfrentadas pelo país, com reflexos sobre turismo e serviços essenciais.
A agenda, portanto, combina temas energéticos e geopolíticos em um momento de rearranjo regional. A eventual retomada da atuação da Petrobras na Venezuela dependerá não apenas de decisões empresariais, mas também do entendimento entre os governos envolvidos e do ambiente regulatório que venha a ser estabelecido após as mudanças recentes no cenário político do país vizinho.










